Agressão de assessor de Trump contra mulheres brasileiras merece repulsa de toda nação (Por José Ricardo Porto) – Heron Cid
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Agressão de assessor de Trump contra mulheres brasileiras merece repulsa de toda nação (Por José Ricardo Porto)

25 de abril de 2026 às 15h06 Por Heron Cid
Paolo Zampolli, assessor especial de Donald Trump

As declarações de Paolo Zampolli, assessor com acesso direto ao entorno de Donald Trump, contra as mulheres brasileiras ultrapassam o limite da grosseria. Ao recorrer a generalizações ofensivas e linguagem depreciativa, não expressou opinião: expôs preconceito, misoginia e uma visão distorcida da realidade.

O episódio é grave por representar um ataque coletivo. Um homem com acesso ao poder dos EUA, não pode transformar sua voz pública em instrumento de agressão a milhões de mulheres de um país inteiro. Não se trata apenas de excesso verbal — trata-se de quebra de decoro e de responsabilidade institucional.

A reação foi imediata e compreensível. No Brasil, especialmente entre as mulheres, houve repúdio veementemente e firme. E não poderia ser diferente: dignidade não é matéria negociável, tampouco admite relativização sob o rótulo de “opinião pessoal ”.
As mulheres brasileiras não precisam de tutela. Respondem, todos os dias, com trabalho, inteligência e protagonismo social. O ataque, portanto, não as diminui — apenas revela a pobreza moral de quem o profere.

Há, contudo, um efeito colateral inevitável. Quando um assessor direto se comporta dessa forma, ele não fala apenas por si — projeta sombra sobre o líder a quem serve. Ainda que não haja endosso explícito, a ausência de reação proporcional transfere, no plano simbólico, parte do desgaste ao próprio Donald Trump. É o custo político da proximidade.

Assim, o comportamento deletério de um subordinado acaba irradiando antipatia para além de sua própria figura, alcançando o centro do poder que representa. Não por imposição externa, mas por associação inevitável. Em política, o entorno nunca é neutro: ele revela, contamina e, muitas vezes, compromete.

No fim, a tentativa de ofensa às brasileiras retorna ao seu ponto de origem — ampliando o dano não apenas ao agressor, mas à imagem de quem, pelo cargo que ocupa, deveria zelar para que o poder jamais seja confundido com licença para desrespeitar.

*José Ricardo Porto é desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba 

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