Cícero ataca 'Ponte do Futuro' e atraca no passado – Heron Cid
Opinião

Cícero ataca ‘Ponte do Futuro’ e atraca no passado

11 de maio de 2026 às 13h00 Por Heron Cid
Pré-candidato ao governo cai na tentação da crítica pela crítica e desliza na região em que já governou e pretende sair majoritário

Foi preciso ouvir algumas vezes para, enfim, se certificar da autenticidade da fala do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) à Rádio Alto Piranhas, de Cajazeiras. Não precisou perícia e nem polígrafo. Não foi culpa de um estagiário da campanha. Era Cícero mesmo em pessoa sim criticando a “prioridade” da Ponte do Futuro, obra que liga Cabedelo/João Pessoa à Santa Rita/Lucena.

Falando ao Sertão, Lucena deve ter se empolgado além da conta no aceno à região. Para defender necessários investimentos hídricos, Cícero não precisaria minimizar a maior intervenção de mobilidade dos últimos tempos na região cuja maior beneficiada é a cidade que governou até pouco tempo.

O ex-prefeito até poderia questionar a urgência do Ramal do Piancó, enquanto o governo João Azevêdo/Lucas Ribeiro (PP) tem reserva de R$ 6 bilhões em caixa. Parênteses: o Ramal do Piancó já tem recursos assegurados pelo PAC do Governo Federal. Não. Cícero optou por relativizar e quase condenar um investimento em detrimento de outro. E errou.

A avidez do pré-candidato por firmar os pés na oposição traiu o ex-gestor que se apresenta como experiente, logo no território onde almeja sair majoritário as urnas. Ainda contradisse o pretendente que lutou, até o ano passado, para convencer João a ser o representante da “continuidade do modelo” do atual governo, desejo atropelado pela ‘candidatura natural’ de Lucas.

Quando mira na Ponte do Futuro, Cícero esquece de lembrar como, onde e quando nasceram os movimentos iniciais dela. Se olhasse direito no retrovisor, veria na fotografia o governo do aliado Cássio Cunha Lima, de quem foi secretário de Planejamento. Foi naquele longínquo tempo que se falou pela primeira vez na ‘Ponte de Lucena’, promessa que teimou e nunca saiu da maquete. O governo João/Lucas vai entregar o que os aliados de Cícero prometeram. E não entregaram.

O problema não é só cair na tentação de abrir dissidência da inteligente unanimidade em torno de uma obra tão necessária quanto sonhada – estratégica na mobilidade e desenvolvimento econômico e turístico. O deslize pior foi atrair para si um conceito retrógrado e bugar o seu próprio marketing que promete à Paraíba “um novo ritmo”. Com a equivocada travessia sobre a Ponte do Futuro, Cícero só conseguiu se atracar ao ritmo do passado.

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