
Foi preciso ouvir algumas vezes para, enfim, se certificar da autenticidade da fala do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) à Rádio Alto Piranhas, de Cajazeiras. Não precisou perícia e nem polígrafo. Não foi culpa de um estagiário da campanha. Era Cícero mesmo em pessoa sim criticando a “prioridade” da Ponte do Futuro, obra que liga Cabedelo/João Pessoa à Santa Rita/Lucena.
Falando ao Sertão, Lucena deve ter se empolgado além da conta no aceno à região. Para defender necessários investimentos hídricos, Cícero não precisaria minimizar a maior intervenção de mobilidade dos últimos tempos na região cuja maior beneficiada é a cidade que governou até pouco tempo.
O ex-prefeito até poderia questionar a urgência do Ramal do Piancó, enquanto o governo João Azevêdo/Lucas Ribeiro (PP) tem reserva de R$ 6 bilhões em caixa. Parênteses: o Ramal do Piancó já tem recursos assegurados pelo PAC do Governo Federal. Não. Cícero optou por relativizar e quase condenar um investimento em detrimento de outro. E errou.
A avidez do pré-candidato por firmar os pés na oposição traiu o ex-gestor que se apresenta como experiente, logo no território onde almeja sair majoritário as urnas. Ainda contradisse o pretendente que lutou, até o ano passado, para convencer João a ser o representante da “continuidade do modelo” do atual governo, desejo atropelado pela ‘candidatura natural’ de Lucas.
Quando mira na Ponte do Futuro, Cícero esquece de lembrar como, onde e quando nasceram os movimentos iniciais dela. Se olhasse direito no retrovisor, veria na fotografia o governo do aliado Cássio Cunha Lima, de quem foi secretário de Planejamento. Foi naquele longínquo tempo que se falou pela primeira vez na ‘Ponte de Lucena’, promessa que teimou e nunca saiu da maquete. O governo João/Lucas vai entregar o que os aliados de Cícero prometeram. E não entregaram.
O problema não é só cair na tentação de abrir dissidência da inteligente unanimidade em torno de uma obra tão necessária quanto sonhada – estratégica na mobilidade e desenvolvimento econômico e turístico. O deslize pior foi atrair para si um conceito retrógrado e bugar o seu próprio marketing que promete à Paraíba “um novo ritmo”. Com a equivocada travessia sobre a Ponte do Futuro, Cícero só conseguiu se atracar ao ritmo do passado.