
Fiz essa pergunta ao prefeito Leo Bezerra (PSB) no programa Liga 360 Debate, da TV Norte. A resposta foi mais ou menos essa: “Essa é a equipe que sempre me atendeu (quando era vice). É minha equipe”. Para a retórica de integração interna, continuidade de gestão e de lealdade ao antecessor até funciona bem. Não se pode dizer o mesmo sobre a interpretação da cidade e para a própria afirmação política.
Leo e o governador Lucas Ribeiro (PP) assumiram no mesmo período, com o advento da desincompatilização de Cícero Lucena (MDB) e João Azevêdo (PSB), respectivamente. Diferente de Lucas, que preservou a maior parte da equipe herdada, mas fez ajustes pontuais e escolheu pessoalmente novos secretários, Leo até hoje conserva exatamente o mesmo secretariado de Lucena.
A única mexida, até aqui, foi para honrar compromisso de campanha de… Cícero Lucena. Importou Dunga Júnior, ex-secretário de Saúde de Campina Grande, para ocupar a Secretaria Executiva de Ciência e Tecnologia. Dunguinha certamente entrou na cota de indicações do clã Cunha Lima, de quem é fiel aliado e seguidor desde os tempos de prefeito de Boqueirão.
Ao escolher nomear um quadro político experiente e atuante (Dunga Júnior), mas carimbado por um período de alta turbulência na Saúde de Campina Grande, Leo se sacrifica pessoal e administrativamente pelo projeto de Cícero. Dá um gesto extremo.
Precisa, entretanto, ter o cuidado de fazer a leitura e a distinção entre lealdade e subserviência. Sob o risco de, se exagerar na dose, sem ter ao menos um secretário para chamar de seu, o próprio prefeito terminar sendo confundido com um.