
José Pereira dormiu presidente da Câmara de Cabedelo numa segunda e acordou prefeito interino nas primeiras horas de uma terça-feira. Eram os efeitos da Operação Cítrico, do MP e Polícia Federal. A ação afastou Edvaldo Neto, o prefeito em exercício e que acabara de ser eleito.
No colo do novo prefeito provisório, além do mandato, um limão azedo para descascar. A Lemon, empresa terceirizada de serviços, estava no alvo dos mandados de busca e apreensão. A suspeita gira do uso da empresa para acoitar indicações de facções criminosas com atuação no município para dentro da gestão pública.
O que fazer, então, com um contrato em plena vigência e diante de decisões provisórias e controversas? Se apegar a letra fria da Lei e manter o vínculo ou buscar os meios e orientações jurídicas e cortar as veias que também serviam para nutrir as artérias do crime organizado na cidade, segundo a investigação?
José Pereira fez a segunda opção. Ao autor do Blog, no programa Hora H, da TV Norte, ele anunciou, na noite desta segunda-feira (11), o rompimento do contrato com a terceirizada sediada em Olinda (PE). No mesmo pacote, abriu contrato emergencial para abrigar contratações temporárias e prometeu uma ‘peneira’, no dizer do gestor, para passar quem fica em quem sai.
No ‘peneirão’, o prefeito interino garantiu mais rigor para separar o trigo das contratações honestas do joio das contaminadas por interesses fora da Lei. Pereira fez da Lemon uma limonada. Lançou os amargos ao passado, e afastou o risco de ele próprio virar suco.