
Na frente do palanque, uma multidão. Os gritos de guerra e as chamadas dos candidatos bradando na boca dos locutores. De cima, dava pra ver o corredor do bairro Santo Antônio lotado do cemitério até a subida da ladeira.
No carro de som, o jingle final da campanha. Quando as cornetas soltavam a voz de Aurino Salvador, a paródia feita pelo menino de 11 anos dava um frio na barriga e aquela sensação de que eu estava ali em cada verso e acorde.
A música entoada pela numerosa plateia como um hino me anestesiava. Me sentia como aqueles compositores realizados sendo cantados por artistas famosos. Entre um candidato e outro, o jingle fazia a repartição da pausa para o anúncio do próximo orador.
Foi nesse dia que conheci Ruy Dantas pela primeira vez. Sucesso no rádio de Sousa, o jovem apresentador do Radar Líder já era um fenômeno.
Minha mãe, dona Marizete, me pegou pelo braço e avisou ao locutor sousense: “Esse menino é filho de José Maria Madrid e foi ela quem fez essa música”. Do outro lado, o meu ídolo daquele momento exclamava uma exclamação de surpresa e acolhimento.
Mas o melhor estava por vir. Com microfone em punho, a atração principal do comício fez referências elogiosas ao autor da música que embalava a militância daquela noite história para a pequena Marizópolis prestes a eleger seu primeiro prefeito.
Trinta anos se passaram da primeira eleição fruto da emancipação política do então acanhado distrito. Uma terra que, a despeito de tudo, sempre soube ser atrevida e ousada. Como aquele menino tímido que fez música de campanha antes de se emancipar adolescente.