O rejeitado foi Messias, mas o derrotado é Lula – Heron Cid
Opinião

O rejeitado foi Messias, mas o derrotado é Lula

29 de abril de 2026 às 20h41 Por Heron Cid
Derrota política é sintoma de uma causa: a fragilidade política do governo (Foto: Aloísio Abrantes - Rede Mais)

O que tem chance de dar errado muito provavelmente dará. A Lei de Murphy funcionou hoje para o presidente Lula. Há meses, o Planalto esquentava o caldo da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. As resistências eram esboçadas, mas o mal momento do governo e a temperatura pré-eleitoral prepararam o clima da tempestade perfeita para uma histórica derrota.

Não sejamos inocentes. Não foi o currículo de Messias (ou a falta dele) e nem muito menos sua vinculação com o presidente e o PT. Esse já é o padrão do contaminado e fracassado modelo de formação da nossa Suprema Corte. O derrotado pelo Senado foi Lula – em carne e osso. O presidente colaborou  mandando de novo à apreciação um nome cujo maior mérito é o da confiança e intimidade.

A desmoralização no plenário exterioriza o sintoma de um governo fragilizado. Que o Lula 3 vai mal das pernas na opinião pública e nas pesquisas, nenhuma novidade. Mas o processo de deterioração atingiu o ápice nos votos no Congresso. Os senadores não apenas deram pesado recado. Movidos pela aproximação das urnas, decidiram contestar solenemente a autoridade do presidente às portas da reeleição.

A articulação do governo avaliou mal essa debilidade política, subestimou a capacidade de articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que – para garantir a degola do Messias da AGU – não lavou as mãos e manobrou ação deliberada do Sinédrio parlamentar. Pelos mesmos motivos que inspiraram Lula a fazer sua indicação: pessoais e políticos. Nenhuma nobreza em ambas as partes.

Como bem anotou o jornalista Fernando Gabeira, ex-deputado federal; perder é ruim, mas não prever a derrota é pior ainda. Apesar do baque inédito, o momento não encoraja Lula a nenhuma declaração de guerra. Esperto e experiente, se tiver juízo o presidente vai evitar passar recibo e tocar o barco para frente. Recomenda-se arquivar a nova indicação após a poeira baixar ou a eleição acabar.

Porque até os jabutis do Palácio do Alvorada sabem que Messias foi só o bode expiatório. O que a maioria do Congresso quer mesmo é aplicar a Lei de Murphy – em carga máxima – contra Lula. Até tudo dar errado em outubro.

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