Pra não dizer que não falei de Geraldo Vandré... – Heron Cid
Crônicas

Pra não dizer que não falei de Geraldo Vandré…

19 de abril de 2026 às 15h07 Por Heron Cid

Prepare o seu coração! O paraibano Geraldo Vandré está de volta à sua terra natal. E é a trabalho. “O mundo foi rodando” e o artista aceitou convite do atuante secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Pedro Santos, para um concerto sinfônico e documentário sobre sua trajetória.

Uma homenagem ao quase centenário do cantor e compositor e um presente inteiro à Paraíba, placenta desse genial criador de canções icônicas da Música Popular do Brasil.

Uma obra que até pode ser sintetizada pelo clássico “Disparada”, brilhantemente defendida por Jair Rodrigues e vencedora do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1966.

Ou por “Pra não Dizer que não Falei de Flores”, interpretada pelo próprio autor no III Festival Internacional da Canção, em 1968, na TV Globo. Segundo lugar para o júri e campeã na preferência da plateia, que vaiou ruidosamente os jurados.

Mas Geraldo Vandré é muito mais.

Na fúnebre “Réquiem para Matraga”, ele canta a dor da morte com “tanta vida pra viver”. Estende o seu Porta Estandarte para espantar “dores e tristezas que bem sei/Um dia ainda vão findar”.

Em “Aroeira”, seguiu desafiando as injustiças sociais e contando os dias “que esse mundo vai virar” até “a volta do cipó de aroeira/No lombo de quem mandou dar”.

Pregando “Fica Mal com Deus” todo aquele desavisado que “não sabe amar”. Depois de tanto tempo e festivais, Vandré continua íntegro suficiente para seguir cantando: “Pelo meu caminho vou. Vou como quem vai chegar”.

E chegou aos 90 anos. Com “laço firme e braço forte”. A volta à Paraíba nunca é adeus. Ele avisou na Canção da Despedida: “Amor, não chora, se eu volto é pra ficar”!

Pedro Santos, Geraldo Vandré e Milton Dornelas

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