De novato a líder, a ascensão de Hugo Motta em Brasília – Heron Cid
Bastidores

De novato a líder, a ascensão de Hugo Motta em Brasília

10 de dezembro de 2020 às 08h58 Por Heron Cid
O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta, durante discussão com colegas (Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados)

Quando chegou à Brasília, o deputado federal Hugo Motta, à época do MDB, tudo que podia ostentar era o título de mais jovem parlamentar do país, nos prematuros 21 anos de idade.

Conquista creditada na conta da tradição política do seu pai, Nabor Wanderley, prefeito, e de sua avó, Francisca Motta, deputada de sucessivos mandatos.

Em dez anos, Hugo fez seu próprio caminho. Paciente, resiliente, desenvolto, o neto de Edivaldo Motta cresceu, literalmente.

Como diriam os sertanejos, feito ele, amadureceu no carbureto.

A sua chegada à liderança do Republicanos para comandar uma bancada de 32 deputados representa esse amadurecimento, igualmente precoce.

“Será uma oportunidade de prestar um grande serviço ao país e ajudar a Paraíba”, disse Hugo, durante entrevista ontem a Wallison Bezerra, no Programa Hora H, da RedeMais.

Motta chega e já tem um grande desafio no roteiro. Ele liderará uma bancada que tem no presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, um nome na disputa pela presidência da Câmara, eleição que se fará renhida, dura, suada e, por tudo isso, muito simbólica.

Mas Hugo Motta já passou por outros imprensados na Câmara. O mais célebre foi disparadamente seu momento de autoafirmação entre as cabeças prateadas.

Presidente da CPI da Petrobrás, uma missão pra lá de espinhosa, aguentou a pressão de deputados da esquerda que tentaram manipular uma das polêmicas sessões e ganhar o debate no grito.

Ivan Valente, veterano do PSOL de São Paulo, foi até à mesa presidida pelo jovem deputado e elevou o tom para intimidar.

Do outro lado, o paulista ouviu, com cabelo branco e tudo, uma reação bem paraibana: “Eu quero dizer aqui que não tenho medo de grito, e que da terra de onde eu venho homem não me grita!”.

Hugo se impôs em Brasília. E foi exatamente por não precisar gritar para ser ouvido.

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