O ciclo perverso do contrabando de cigarros (por Efraim Filho) – Heron Cid
Bastidores

O ciclo perverso do contrabando de cigarros (por Efraim Filho)

16 de maio de 2020 às 15h55

Como presidente da Frente Nacional de Combate ao Contrabando, na Câmara dos Deputados, me deparo com fatos e situações aviltantes, que nos afrontam ao descortinar um cenário de ilegalidade. São milhões e milhões de produtos que entram no Brasil clandestinamente, corrompem estabelecimentos comerciais e consumidores e tiram divisas que poderiam ser usadas para revigorar vários setores carentes da sociedade. Mais grave, alguns atacam frontalmente a segurança pública. Caso do contrabando de cigarro.

Pesquisa Ibope indicou que 57% dos cigarros consumidos no Brasil são contrabandeados. Ou seja, mais da metade dos fumantes brasileiros ajudam a alimentar um ciclo perverso, que começa lá no Paraguai, de onde saem 94% do tabaco ilegal consumido no país. São R$ 11 bilhões de reais por ano movimentados pela criminalidade em torno dessa gigantesca operação. Essa rede de crime, e como ela funciona, foi esmiuçada no programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo (3.mai.2020). A ação dos marginais para atravessar a fronteira e entregar a mercadoria é tão arrojada que lembra filmes de ação.

O Paraguai tem uma indústria tabagista pujante. Há grandes fabricantes lá, que pagam o décimo primeiro imposto mais baixo do mundo para comercializar seu produto, 18%. Para chegar ao Brasil, atravessadores paraguaios e brasileiros percorrem uma rota insana, por lanchas e por carros, em alta velocidade, desafiando as bravas forças de segurança das fronteiras nacionais, que encontram dificuldades para cobrir nossa vasta fronteira. No Brasil, o cigarro contrabandeado, por vezes, cai nas mãos do crime organizado, que usa o dinheiro para comprar armas e municiar o tráfico de drogas. Em muitas comunidades nem é possível encontrar o cigarro legal – cuja indústria paga 71% de imposto no país e que, por isso, não pode competir em preço com o paraguaio.

Esse contexto desastroso faz com quem importemos crime e exportemos mão de obra e recursos brasileiros, o que torna o contrabando um problema de todos. Sim, porque 6 em cada dez cigarros consumidos no Brasil vêm da marginalidade. E, com o patamar atual de 57% do mercado nas mãos do contrabando, a indústria legal deixa de criar 27 mil empregos por ano, segundo projeção da Oxford Economics. É necessário atacar diversas frentes para virar esse jogo desleal. Precisamos continuar lutando contra esse crime, Executivo, Legislativo e Judiciário, para criar mais ações de combate.

Poder360

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