Na semântica de FHC, o sujo se torna limpinho. Por Josias de Souza – Heron Cid
Bastidores

Na semântica de FHC, o sujo se torna limpinho. Por Josias de Souza

9 de junho de 2018 às 10h03 Por Heron Cid

Depois que Fernando Henrique Cardoso declarou que pode ter pedido dinheiro a Marcelo Odebecht para as campanhas de dois tucanos mas isso “era legal”, ficou todo mundo desobrigado de fazer sentido no Brasil. Ao acrescentar que eventuais doações não vieram “a troco de decisões minhas, pois na época (2010) eu estava fora dos governos”, FHC inaugurou uma espécie de vale-tudo semântico.

Pode-se dizer qualquer coisa da Odebrecht. Mas é preciso enaltecer sua organização. Tinha um departamento especializado no pagamento de propinas a políticos, o setor de Operações Estruturadas, eufemismo para departamento de corrupção. Para infelicidade dos beneficiários, esse departamento dispunha de um arquivo próprio.

Os papeis da Odebrecht revelam que pelo menos um dos pedidos de FHC foi atendido. A empreiteira repassou R$ 100 mil a Antero Paes de Barros, candidato derrotado ao Senado pelo Mato Grosso. O dinheiro pingou por meio de duas distribuidoras da cervejaria Petrópolis, usada pela Odebrecht para camuflar doações ilegais. Isso é crime. Mas, evidentemente, estamos falando como se as palavras ainda tivessem algum significado no Brasil. Uma característica curiosa da semântica de FHC é que, nela, o dinheiro sujo da Odebrecht só faz sentido em outros partidos. No PSDB é tudo limpinho.

UOL

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