Agregar, a palavra que fica da desistência de Luciano Huck – Heron Cid
Opinião

Agregar, a palavra que fica da desistência de Luciano Huck

27 de novembro de 2017 às 10h26 Por Heron Cid

Muito antes das convenções, o apresentador Luciano Huck preferiu economizar as expectativas de um razoável contingente social que depositava esperanças em uma eventual candidatura à Presidência da República.

Eis a primeira lição que o televisivo dá em cima da política tradicional. Fosse matreiro no meio, esgotaria todo o tempo a que teria disponível, aproveitaria meses de glória, valorizaria o passe e, no final, negociaria seu apoio.

Depois, o apresentador, em seu artigo, realimentou a crença de que o Brasil tem jeito e pode se reinventar do caos que a deformação política atual nos empurrou. E ele não está só. Há muitos homens e mulheres, cidadãos, instituições, trabalhadores e intelectuais colaborando nas suas missões e dispostos a oferecer o melhor em defesa de um novo vento sobre nosso destino.

O terceiro, e não menos importante. A convicção e postura de que é possível influenciar, fazer política, interferir, provocar reflexões e promover transformações, sem necessariamente uma voz no palanque eletrônico do debate ou um cargo eletivo para chamar de seu.

Por último, Luciano deixa para todos nós uma exortação a partir de sua decisão pessoal ao dizer que vai “direcionar toda a energia de que disponho para outra coisa que acredito saber fazer: agregar”.

“Agregar as mentes sábias que fui encontrando em diferentes camadas da sociedade, dentro e fora do Brasil, pessoas extremamente capazes e dispostas de fato a conjugar o verbo servir no tempo e no sentido corretos. Vou trabalhar efetivamente para estruturar e me juntar a grupos que assumam a missão de ir fundo na elaboração de um pensamento e principalmente de um projeto de país para o Brasil”.

A palavra agregar chega em momento mais do que oportuno. Estamos numa quadra da divisão, do agravamento dos radicalismos e extremos, um processo em que a unidade nacional, nossa marca, corre sério riscos pela bandeira do “nós contra eles”, desfraldada com ódio, rancor e revanche.

Na crise, no desmantelamento a que estamos mergulhados, nunca foi tão necessário juntar, somar e reunir o maior número possível de esforços em torno de uma reconstrução. Uma tarefa gigante que não tem perspectiva de êxito se continuarmos enveredando caminhos opostos e pautados pelo signo da separação.

Em vez de usar seu prestígio pessoal para lançar mais um campo de divisão, Luciano Huck optou por se juntar a outros tantos brasileiros, felizmente a maioria, empenhados em fazer de todos os  brasis uma só Nação.

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