Opinião

As canções de ninar bolsonaristas

8 de janeiro de 2021 às 20h22

21 de outubro de 2020. “A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população. Esse é o pensamento nosso”. As palavras são do presidente Jair Bolsonaro.

7 de janeiro de 2021. O ministro Eduardo Pazzuello anuncia a compra de 100 milhões de doses da coronavac, espezinhada durante meses por Bolsonaro e seus mais assíduos seguidores.

As idas e vindas já são comuns.

Devem provocar um nó no juízo do séquito bolsonarista, condenado a um permanente F5 no discurso e nas ideias, obrigados a adaptar as posições ideológicas de acordo com a lua do guru.

O que dizer agora depois de passar um semestre esculachando a tal “vacina chinesa”?

Como, de repente, torcer pela eleição de Artur Lira, do Centrão que o capitão prometeu sacrificar a vida para combatê-lo?

Mesmo sabendo que, na sucessão da Câmara, poderia-se esperar que presidente tentasse, ao menos, viabilizar, pela lógica, um nome da sua “agenda ideológica”, alguém eleito na sua cauda em 2018.

Os ativos militantes do bolsonarismo não têm vida fácil mesmo. Gritam ao mundo que querem mudá-lo  enquanto o salvador da pátria ora se amolda, ora contesta, de acordo com a conveniência.

O fardo do constrangimento leva – vez ou outra – alguns ativistas da causa bolsonarista, travestidos de blogueiros, a chutar o pau da barraca, tentando, em vão, enquadrar o homem.

Santa inocência. O presidente só escuta o que quer. E quando quer. E ele sabe lidar com os seus.

Para adestrar o seus radicais, alimenta o fantasma da volta da esquerda e canta que a cuca vai pegar. Aí, apoiá-lo incondicionalmente, na coerência e na incoerência, converte-se em questão sacra, de elevado e revolucionário patriotismo.

Conversa para boi dormir.

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