A tese do "Eu Sozinho" – Heron Cid
Bastidores

A tese do “Eu Sozinho”

6 de dezembro de 2019 às 10h59 Por Heron Cid

O telefone toca. Do outro lado da linha, o deputado estadual licenciado Hervázio Bezerra (PSB), atual secretário de Esportes do Estado.

Bezerra chama atenção do autor do Blog para a abordagem difundida à exaustão, nos últimos dias, pelo ex-governador Ricardo Coutinho, de quem Hervázio foi líder oito anos.

Pelo conteúdo é a tese do “Eu Sozinho”, segundo a qual Coutinho, isoladamente, elegeu todo mundo do grupo político governista e todos devem suas eleições e êxitos eleitorais a ele, claro.

Memorialista, Hervázio citou a eleição de 2004, em João Pessoa, quando, para ganhar “sozinho”, Ricardo se aliou ao poderoso, à época, José Maranhão, que sacrificou o então deputado Manoel Junior e rifou sua candidatura para apoiar o à época deputado do PSB, recém-egresso do PT.

Em 2008, mesmo sem a vice, o MDB em vias de reassumir o Estado, via cassação de Cássio Cunha Lima, foi convencido a votar em Ricardo, reeleito “sozinho”. Como prêmio de consolação, Manoel Junior virou deputado federal.

Veio 2010. Para vencer o favoritismo de Maranhão e toda a estrutura governamental do Palácio e do MDB, com quem rompeu logo depois de receber dois apoios em João Pessoa, Ricardo precisou dessa vez do PSDB de Cássio e do DEM de Efraim Morais para “arranjar onde tomar um copo d’água depois da ponte do Rio Sanhauá”, nas palavras de Hervázio.

Passou Maranhão apertado no primeiro turno e triunfou no segundo. “Sozinho”.

Em 2014, “sozinho”, mas com o apoio do PT de Luciano Cartaxo, cuja aliança só durou um ano, perdeu o primeiro turno para Cássio Cunha Lima. Com a adesão no segundo, de novo, do velho MDB e seus caciques, costura que Bezerra sempre frisa ter participado ao nível máximo, Coutinho venceu ‘sozinho’ o até então imbatível Cássio.

“Atente, a maioria do segundo turno foi exatamente o número de votos de Vital do Rêgo, o candidato do MDB”, historia Hervázio.

Aí – acrescenta o deputado licenciado – chegou 2018, João Azevêdo, o ‘neófito’, o ‘desconhecido’, o ‘incapaz’, aquele que ‘não ganharia nem para vereador’, no dizer de Coutinho e discípulos, conseguiu a proeza de ser eleito no primeiro turno, contra dois azeitados grupos políticos, e saiu com 22 deputados da base na “maior vitória dos últimos tempos”.

Curioso, no mínimo.

No arremate, Bezerra não consegue represar duas perguntas: “Agora e antes foi Ricardo sozinho? Por que o desempenho dele próprio nas eleições estaduais não foi esse mesmo de 2018”?

Para as perguntas de Hervázio o futuro próximo e o nem tão próximo assim responderão. Provavelmente, do jeito que a coisa vai, desenha-se um cenário que permitirá a incrível chance de a Paraíba mensurar e saber o real tamanho do ex-governador ‘sozinho’…

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