É par, mas pode ser ímpar (Por Kubitschek Pinheiro) – Heron Cid
Crônicas

É par, mas pode ser ímpar (Por Kubitschek Pinheiro)

13 de fevereiro de 2022 às 09h25

(Para Léo Mendonça)

Às vezes acho, sinto, penso, desejo, reflito, esqueço, enlouqueço e saio de cena – que estou quase chegando no espaço do não nome, no não centro emotivo, do quase nada, no nada do quase tudo, quase nada, nada. Logo existo e ressuscito.

Via sacramentada. Eu já vi o amor. Do chão não passa.

Eu vou de uma coisa à outra. Retorno para o nome das coisas que são quase coisas, quase vias, vidas, vielas, veredas, quase palavras sagradas. Cerebral.

Fico aqui, onde se pode, por pouco, mais um pouco, ainda fazer uma coisa, quase nada, pelo que não foi, não é, talvez seja, nunca foi, quem sabe.

Quem sabe lá, onde quase fui, que avistei, também desse, daquele ângulo, mas lá é tão longe, não vou, não, não deixar, não vou deixar.

Não há coincidência que se sustente, incidindo ao mesmo espaço, para que se torne uma espécie de cartografias do tarô, mas eu não creio em milagres. Basta que alguém as reúna numa conversa, mas as coincidências não dizem nada. Talvez, o amor de alguém por minha narração.

Caravaggio, as 4 Estações de Vivaldi, Caetano Veloso.

Subir à serra, um Cristo na cruz, na parede, um pão integral de ontem, uma dose de uísque, a cachorra e o pelo marrom dela, ainda o rabo abanando para entrar em casa e dormir em sua caminha.

Prefiro ler Vargas Llosa, comprar uma casa no campo e nunca mais ouvir Elis, mas uma casa não vale tanto, alegra, como os últimos dias em que Laurie Anderson  (foto) cuidou de Lou Reed, seu esposo. Os últimos dias de Walter Galvão, que era tímido e imenso.

O lar espiritual 

“Para nossos vizinhos: Que bela queda! Tudo cintilante e dourado e toda aquela luz suave incrível. Água ao nosso redor. Lou e eu passamos muito tempo aqui nos últimos anos e, embora sejamos pessoas da cidade, este é nosso lar espiritual. Na semana passada, prometi a Lou tirá-lo do hospital e voltar para casa em Springs. E nós conseguimos! Lou era um mestre de tai chi e passou seus últimos dias aqui sendo feliz e deslumbrado com a beleza, o poder e a suavidade da natureza. Ele morreu na manhã de domingo olhando para as árvores e fazendo a famosa forma de tai chi 21 com apenas suas mãos de músico movendo-se no ar. Lou era um príncipe e um lutador e sei que suas canções sobre a dor e a beleza do mundo vão encher muita gente com a incrível alegria que ele sentia pela vida. Viva a beleza que vem de todos nós. Laurie Anderson sua esposa amorosa e amiga eterna”.

An impossible dream


Dar cinquenta reais para alguém num sinal fechado, comprar um bilhete inútil de loteria, cantar uma música antiga de Vicente Celestino e sonhar com meu pai Vicente, que me amava tanto.

Desafinado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo desafinado.

Tudo isso não é fugir. Ou melhor, é “fugere” sim. É distrair-se, e distrair-se é sair dos trilhos urbanos. E sair dos trilhos é voltar para o ninho, porque o mundo é uma árvore e, como disse Augusto dos Anjos, “As árvores, não têm alma!”. É de cortar coração, mas nem por isso odeio o zodíaco, quando encontro os “escorpiões” falantes.

Veio um imêio de alguém dizendo que a vida é um disco arranhado.
E daí? Teoria? Prática? Decoreba?

Afinal, qual é o tamanho do vazio, o elo perdido daqueles que se escondem, para dizer que estão vivos? Bom, quem não aparece, não é lembrado.

Kapetadas

1 – Que neste ano do tigre, a tigresa possa mais do que o leão. (para Alex, Francisco e Jória)

2 – Detectado primeiro caso de covid psicológica em hipocondríaco. Deu a bexiga!

3 – Som na caixa: “Palavra figura de espanto/Quanto na terra tento descansar”, Luiz Melodia

MaisPB

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