Opinião

A posse de Ciro Nogueira: se o dono não mudar, a Casa não muda

4 de agosto de 2021 às 19h27
Aperto de mão entre Bolsonaro e Ciro Nogueira sela a parceria do governo com os partidos de centro no Congresso (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Parlamentares sinalizam esperança e expectativa de que, com o senador Ciro Nogueira, empossado hoje na Casa Civil, o turbulento governo Jair Bolsonaro iniciará uma trégua das tensões.

Otimismo com grande chance de se perder pelo caminho da realidade. A julgar pelo histórico dos últimos três anos.

Não que falte ao ávido senador piauiense capacidade para interlocução entre poderes, perícia para desativar bombas e jogo de cintura para amealhar apoios.

Não é isso. A questão foge ao controle do habilidoso inquilino da vez. É com o verdadeiro dono da Casa Civil, o presidente Bolsonaro.

Outros esperaram a mesma coisa, como, por exemplo, com a ascensão de Fábio Faria ao Ministério da Comunicação e com a chegada da deputada Flávia Arruda na Secretaria de Governo.

As demandas dos parlamentares, verba para municípios e estados, no bom português, até desaguaram para os rios de deputados e senadores.

Mas, sem nenhuma gota de avanço ou melhora do comportamento belicoso do presidente com a imprensa, as instituições e até no (des) trato das relações humanas.

Inocente ou utopicamente, ministros entram com a falsa esperança de moldar Bolsonaro. Para ficar, terminam se amoldando a ele.

Assim, o governo desenha um oito sem fim. Bolsonaro fingindo aceno para pacificação e os interessados nas fatias dos ministérios fingindo que acreditam.

Se o presidente não mudar, o governo não mudará, ainda que se troque as caras da Esplanada. No mundo real, o que hoje é renovada torcida tem enorme probabilidade de não passar de torcida.

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