Opinião

A nova divisão do PT tem nome e sobrenome

2 de agosto de 2021 às 11h47

Por um desses milagres, o PT conseguiu se reunificar em torno da eleição que consolidou Jackson Macêdo na presidência, depois de intensos conflitos internos.

Em 2018, essa unidade foi materializada com o partido uníssono em torno da candidatura de Luiz Couto ao Senado.

Não durou muito. O PT voltou a experimentar divisão interna na eleição seguinte, em 2020, quando em João Pessoa ficou partido entre a candidatura própria de Anísio Maia e a postulação de Ricardo Coutinho (PSB) em cima da hora.

Deu no que deu.

O racha se aprofunda agora com a iminente filiação de Coutinho. Sutilmente convidado a desocupar o PSB, o ex-prefeito busca um abrigo para 2022. Que nem de longe é disputar o Senado, como ensaia.

No mar das incertezas políticas e jurídicas com as quais se meteu, Ricardo vê na candidatura de Lula um bote salvador.

Mas, o ingresso na agremiação passa distante de qualquer consenso ou receptividade. Parte majoritária do partido faz barreira de contenção.

Alega que Ricardo não respeita as instâncias e quer entrar por cima, sem nenhum diálogo por baixo. Chega com “um pacote pronto”, no dizer do deputado estadual Anísio Maia.

Com apoio ostensivo e estratégico do presidente do PT, Jackson Macêdo, e do ex-deputado Luiz Couto, Ricardo dá de ombros e segue sua empreitada pela direção nacional, via Gleisi Hoffman e Lula.

Coutinho não liga para a resistência da base. O que ele precisa mesmo é da sigla que um dia deixou. Não das boas vindas dos ‘companheiros’ que um dia se afastou para o seu projeto de poder.

Para se abrigar no prédio do PT, Ricardo ignora os vizinhos e vai direto nos síndicos, Gleisi e Hoffman, de quem deve receber as chaves de filiação

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