Opinião

No Éden de João Santana, a recriação de Ciro Gomes

28 de junho de 2021 às 11h41

Do barro Ciro Gomes- uma mistura de intelectualidade virtuosa e temperamento explosivo – o jornalista e publicitário João Santana está moldando um novo candidato.

Santana tenta tirar da costela do cearense o discurso capaz de situá-lo como alternativa ao dilema do inferno e do purgatório para quem cruza dos dedos contra a manutenção de Bolsonaro e a volta de Lula.

Na nova e inteligente peça nas redes sociais, Ciro é didático na delimitação dos dois adversários.

“A volta ao passado jamais será o caminho para o futuro. Este é o problema de apoiar Lula. E a paralisia do presente seria a gente ficar soterrado na dor, na morte e no desespero. Essa é a tragédia de ficar com Bolsonaro”, enuncia o pré-candidato do PDT em tomadas no centro de um campinho de terra na periferia brasileira.

O texto continua com um convite à reflexão: “Não devemos sentir ódio ou vingança contra qualquer um dos dois, apenas examiná-los com um olhar bem crítico. Não podemos fazer uma troca raivosa de um pelo outro. Um ódio novo não substitui um ódio velho”.

Dias antes, Ciro protagonizou um vídeo portando em cada uma das mãos o livro da Constituição Federal e da Bíblia Sagrada. Uma mensagem explícita da conciliação de valores civis e democráticos com princípios espirituais. Aceno inequívoco aos evangélicos.

Para quem se coloca como opção à polarização, o ex-governador do Ceará faz o caminho correto e pedagógico do convencimento com argumento e exemplos práticos, acessíveis à cognição média do cidadão brasileiro.

No Éden de João Santana, o pedetista surge como candidato ideal à polarização. Cabe agora ao próprio resistir à tentação de não reincidir no destempero, o seu pecado de toda eleição.

O novo Ciro está criado. Ou recriado. O eleitor dirá que o que está vendo é bom?

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