Bastidores

Annelise Meneguesso conta detalhes de reunião com Bolsonaro: “Não existe Gabinete Paralelo”

8 de junho de 2021 às 12h59
Médica que participou de reunião com Bolsonaro critica politização do vírus e cobra fiscalização de recursos para Covid

A repercussão da sua presença, ao lado de outros médicos, em uma reunião em setembro de 2020 com o presidente da República, Jair Bolsonaro, para discutir tratamento precoce contra a Covid-19, surpreendeu a endocrinologista Annelise Meneguesso, de Campina Grande.

Ao Blog, a médica foi taxativa: “Não acredito que existe esse Gabinete Paralelo. É uma falácia. Posso estar errada, mas isso nunca existiu. O que existe são pessoas que podem dar algum conselho ao presidente”.

Ela explicou que o encontro foi intermediado pelo deputado federal Osmar Terra (MDB) para tratar de uma demanda do “Médicos pela Vida”, movimento sem fins lucrativos e defensor do tratamento precoce. “Foi uma audiência pública a convite do presidente”, explicou, lembrando que o diálogo foi gravado e publicado nas redes sociais de Bolsonaro.

Conselheira Federal de Medicina pela Paraíba, a médica acentuou que não representou o CFM: “Eu não estava inscrita pra falar sobre nada. Quando eu vi que o rumo estava se exaltando, falando coisas que não concordavam….”.

Que rumo? Perguntou o autor do Blog. A defesa de remédio específico, respondeu:

“Eu nunca defendi nenhuma droga. Sou a favor do diagnóstico precoce. Para todas as doenças virais. Eu sou fervorosa, bati na tecla. Ofertar o diagnóstico precoce. Não há cura para a Covid, mas há tratamento, como por exemplo, o uso corticoides e anticoagulante. Para isso o médico precisa ter a oportunidade do diagnóstico. Defendo isso desde marco do ano passado em grupos de estudos, e eu não mudei o meu pensamento”. 

Bastidores da reunião

“Não houve nada sigiloso e todos os participantes estavam registrados. Quando eu estava indo eu sempre fiz questão de não associar a médica e a candidata (à vice-prefeita de Campina Grande à época). Foi na época da eleição, eu nem usei minha proximidade com o presidente. Eu estava como médica, não pelo Conselho Federal de Medicina. Eu divulguei que iria participar. Foi uma audiência pública a convite do Palácio do Planalto. Quando voltei dei entrevista e tudo sobre a reunião. Não teve nada às escusas.

“Eram poucas pessoas na sala, todos tinham os exames negativos.Todo mundo só viajou porque sabia que não estava contaminado. Um (dos convidados) estava com suspeita de Covid não viajou. Assim que começou a reunião, o presidente tomou a iniciativa de gravar e fazer live. Ninguém se opôs”. 

“Não estava inscrita pra falar sobre nada. Quando eu vi que o rumo estava se exaltando, falando coisas que não concordavam (defesa da cloroquina)… Eu nunca defendi nenhuma droga. Em agosto um vídeo meu viralizou sobre o acesso ao diagnóstico precoce para que o paciente seja adequadamente tratado”.

Gabinete Paralelo

“Foi uma reunião para apresentar demandas do movimento. Foi pública. todos nós estávamos registrados, e foi transmitido ao vivo. É uma falácia que existe um gabinete paralelo. Acredito que não existe. Acredito que ele ouça que tem pessoas que aconselham, nunca vi falar sobre isso.”

Eu fiquei muito surpresa quando vi essa associação dessa reunião desse Gabinete Paralelo, que eu nem acredito que exista. É um gasto de energia inclusive da própria imprensa. poderia tá fiscalizando hospitais e vacinas. Cadê os bilhões que foram deixados e a gente não tá fiscalizando?

Politização do vírus

“O médico que usa a profissão para política está errado, principalmente uma doença que tem destroçado a vida de tantas famílias. Não quero saber de politização da doença”.

“Eu bato na tecla que meu inimigo é o vírus. Eu sou totalmente contra colegas que politizam a doença. Eu sempre fui contra. Sempre preguei a autonomia do médico considerando o melhor para o paciente.

“Hoje temos 14 medicamentos com potencial bacana, mas não sabemos como aplicar. A gente tem que tentar tudo que a gente sabe que não vai fazer mal ao paciente.”

Tratamento precoce e vacina

“Defendo tudo que a gente puder fazer para dar oportunidade do paciente ser curado”

“Eu sempre fui a favor da vacinação. Eu acredito que a vacinação em massa será a única maneira de prevenir. Eu incentivo meu paciente a se vacinar. Eu fiquei muito chateada quando o Jornal Nacional associou (em reportagem no último sábado) a minha imagem a quem é contra a vacina.”

Cobranças

“A gente tem vacina sobrando na Paraíba. Campina Grande está um caos. Cadê tudo aquilo foi prometido? Cadê os desvios dos governadores e prefeitos? Ficou uma política de ódio contra o tratamento. Será que não poderíamos pensar em salvar mais vidas?”

Quem é Annelise Meneguesso?

Natural de Fortaleza (CE), graduou-se pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em 2006, e se especializou em Endocrinologia e Metabologia.

Uma coincidência. Ela passou os últimos dias afastada das suas atividades. Foi contaminada pela Covid-19 e teve comprometimento inflamatório. Com o ciclo fechado da doença e curada, se prepara para voltar a clinicar.

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