Opinião

O que, na sua complexa simplicidade, Juliette ensinou ao Brasil

5 de maio de 2021 às 13h14
Advogada paraibana e a complexidade extrema de ser profundamente simples

Sou um fora das estatísticas de audiência do Big Brother Brasil. Nenhum preconceito. Questão de gosto mesmo. Cada um tem o seu. Costumo gastar meu tempo ocioso com outro tipo de entretenimento.

Mas, como milhões de brasileiros, integro a audiência passiva do BBB21. Aquele universo que, assistindo ou não, fica sabendo indiretamente do movimento do jogo a cada semana. Inegavelmente, o programa esteve na boca do povo e nos debates digitais.

Só a pandemia chamou mais atenção do que a atração. Mérito da expertise da TV Globo, que se renova e sabe penetrar um público carente de distrações para anestesiar suas dores e angústias.

E dessa vez uma protagonista fez muita diferença para humanizar o game real. Juliette Freire, advogada e maquiadora paraibana, ficou, inacreditavelmente, maior do que o programa.

Fenômeno mesmo. De virar bonequinha e queridinha de artistas consagrados, referência, inspiração e dona de uma torcida direta de 24 milhões de brasileiros. Absurdamente seguida no Instagram.

Mesmo que não acompanhasse a repercussão nas redes e na imprensa, por mais que não ouvisse todos os dias meus colegas de trabalho falando, o assunto entrou fatalmente na minha casa, no café, almoço e jantar.

Era pauta de Joseane, nossa afável secretária, todo dia. Era o comentário de minha mulher ao analisar com olhar teórico a explosão da moça de Campina Grande, mas também flechada e entusiasmada torcedora até a final que não vi, mas fui acordado com a vibração vinda da sala.

Duas amostras de que Juliette agradou e conquistou de A a Z. Por que? Porque sobrou nela o que tem faltado nesse país adoecido do vírus de ideologização: a coragem de ser quem somos sem precisar anular e cancelar o outro.

A sensibilidade de ouvir aquilo que nos incomoda e discordamos, filtrar, compreender e se posicionar sem ódio, ressentimentos ou vingança. A capacidade de enxergar o interlocutor, por mais diferente que seja, como nosso complemento necessário, não como inimigo. Sem tese, ela ensinou didaticamente sobre tolerância até com os perseguidores. E a viver além das tribos.

Somos muitas Juliettes, mulheres e homens. De carne e osso, com suas conquistas, perdas, nenhuma vergonha de ter fé em Deus e na vida e uma enorme vontade de vencer. Gente anônima que nunca teve e não terá nada fácil. Cada vitória é sempre suada, brigada, conquistada.

Da emocionada comemoração replicada à exaustão nas redes sociais, uma mensagem resume tudo: “Não desista”! Por mais que a vida coloque você no paredão e repita que o pódio não é o seu lugar !

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