Opinião

Começou a guerra de balas trocadas na “CPI do Apocalipse”

30 de abril de 2021 às 17h24
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Nem demorou e o que se esperava já começou logo na partida. O requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) dá a ideia do que será a CPI da Pandemia.

Alinhado com as teses governistas, o parlamentar cearense já pediu a convocação de todos os secretários de saúde do Nordeste para depoimento.

Alega o autor a necessidade de explicações sobre ações, compras e gastos feitos pelos estados associados ao Consórcio Nordeste.

Girão quer saber basicamente duas coisas. “Por que muitos hospitais de campanha foram desmanchados antes da segunda onda da pandemia” e “por que o consórcio pagou adiantado 300 respiradores que não foram entregues”.

A estratégia é clara: encontrar também problemas, erros, omissões ou eventuais crimes nos governos estaduais. À semelhança do Governo Federal, não será difícil encontrar.

É o canal da metralhadora do Planalto apontado de volta para a mira dos adversários políticos que jogam todas as fichas na CPI como o cadafalso do presidente Jair Bolsonaro.

Parêntese. Imagine se todas assembleias abrissem CPI’s para analisar razões, circunstâncias e responsabilidades específicas das mortes e gastos da covid-19 nos estados? Seria impraticável, mas esse foi o pedagógico precedente aberto…

Voltemos. Será assim essa batalha canhestra. Uma guerra política com os dois lados armados, municiados e atirando em “culpados”.

Fácil prever o final. Bala para todo lado, muitos feridos e poucos a salvo.

Como diria a sábia ex-presidente Dilma Rousseff: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder”.

Principalmente um Brasil que já perdeu tantos.

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