Crônicas

Dona Marizete e a arte de enxergar com o coração

17 de abril de 2021 às 22h43

Antes de todo mundo, ela conseguiu ver um comunicador onde só se tinha um menino tímido, recluso e que mal falava na frente de estranhos.

Coisa que só mãe enxerga. Porque elas enxergam com os olhos do coração. São fé na descrença, ombro na solidão, presença na ausência.

Dona Marizete me deu vida nova demais. Antes de completar os primeiros vinte anos. Se apaixonou pela voz e pelas palavras de José Maria Madrid.

Uma rápida vida de casal que frutificou dois descendentes, mas legou distância. Foi mãe e pai. De uma só vez, sensibilidade e força, aconchego e encorajamento.

Do suor e das lágrimas fez a fonte para educação. Da vida simples e cheia de sacrifício, o exemplo, a maior de todas as formações.

Ela nunca desconfiou, mas vi suas angústias represadas, suas lágrimas em silêncio, disfarçadas para não deixar lacrimejar os filhos.

Hoje, no seu novo aniversário, ela olhou para o horizonte de um mar azul com a mesma ternura e coragem que a fez chegar até aqui. Uma jornada marcada nos traços da face, nas cicatrizes da alma e nos cachos já prateados.

E eu miro meu olhar nela e continuo vendo aquela mulher que segurou a minha mão pela primeira vez e nunca mais soltou.

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