Opinião

O STF é inocente

16 de abril de 2021 às 14h31

Reunidos, os 11 supremos anularam as duas condenações do ex-presidente Lula da Silva (PT). Tal qual Edson Fachin, descobriram agora a incompetência da Vara de Curitiba para julgar o líder máximo do petismo.

Como o STF foi inocente, né? Ninguém lá percebeu ou suspeitou de qualquer irregularidade originária, mesmo apreciando dezenas de recursos, habeas corpus e até julgando, indo e vindo, a prisão em segunda instância.

Os supremos também vão julgar nesses dias a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, aquele a quem por anos deram razão e referendaram decisões e atenderam despachos que envolviam operações, prisões, escutas, etc.

À semelhança do que impingiu a Segunda Turma, a turma toda reunida vai chegar a conclusão de que esse mesmo Moro agiu com parcialidade e interesse político ao prolatar as condenações cuja consequência eleitoral removeu o petista da disputa de 2018.

Sentenças confirmadas e aumentadas pelas instâncias superiores.

Gilmar Mendes, para quem em 2015 o PT havia instalado uma cleptocracia, agora tem olhar lacrimoso e voz embargada diante da obstinação dos advogados da incansável defesa de Lula. Comovente.

Carmén Lúcia mudou voto sobre a parcialidade de Moro. Em 2016, no Roda Viva, ela dizia que juiz e procuradores de Curitiba “descobriram algo que não pode ser aceito, que são casos gravíssimos de corrupção e que é preciso dar uma resposta rapidíssima”.

Mas, até aí não existiam as mensagens raptadas pelos desinteressados hackers que não combinaram a ação delituosa e não são suspeitos e nem parciais. São republicanos voluntários a serviço da verdade. Mesmo ainda sem autenticidade.

A burocrática decisão do Supremo, que não entra no mérito das acusações e provas, dá o direito de Lula, com sua insuperável esperteza política, autoproclamar-se inocente. Nada disso. A (nova) sentença  declarou que inocente é o STF.

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