Opinião

As águas de março e a chuva de mortes

23 de março de 2021 às 19h52
Neto durante o enterro de sua avó que supostamente morreu de coronavírus, no cemitério Parque Taruma, em Manaus (Foto: Bruno Kelly/Reuters)

Nunca se morreu tanto no Brasil como neste trágico março. Até hoje, as autoridades sanitárias registraram, oficialmente, 45.401 óbitos num mês que ainda tem uma semana pela frente.

A terça-feira terminou com um saldo 3.251 mortes em 24 horas. Marchamos, catatonicamente, para 300 mil brasileiros mortos desde o princípio da pandemia.

O desastre indica o tamanho da responsabilidade do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que foi formalmente empossado, uma semana depois de anunciado.

A letalidade da nova onda da pandemia é chocante e precisa provocar uma discussão profunda na sociedade brasileira (população e governantes): onde erramos e o que fazer para conter a atual evitar novas catástrofes?

A pergunta precisa calar ainda mais fundo na alma de todos quanto, por desinformação ou má vontade, minimizaram o perigo do vírus e banalizaram as perdas de vidas humanas.

Tanta gente não pode ter morrido em vão. E nem tantos outros podem continuar descendo à sepultura.

Turvas e carregadas de tristeza, as águas deste março não fecharão o verão em 2021. Ainda não fez sol. Só chove dor.

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