Opinião

O novo decreto: Campina Grande não poderia ser pequena

12 de março de 2021 às 11h53
Prefeito Bruno Cunha Lima assentiu em medidas mais duras e preservou questões de convicção pessoal: toque de recolher e igrejas

Foram longas as reuniões para ajustes internos. Foi intensa a negociação com o Ministério Público até a noite de ontem. Enfim, saiu o decreto do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), para enfrentamento ao momento mais complexo da pandemia.

Apesar das resistências, a maior parte das normas baixadas se coaduna com o decreto estadual em vigor. Em alguns casos, é ainda mais restritivo, feiras livres e escolas particulares.

Todavia, com duas exceções mais relevantes: divergência quanto ao toque de recolher e manutenção das atividades religiosas, com 30% da capacidade.

Mesmo sem proibição de circulação, o fechamento dos estabelecimentos a partir das 22h leva o campinense naturalmente a se recolher mais cedo.

Como – de acordo com o STF – prevalecem as medidas mais restritivas, não se sabe se haverá recurso ao Judiciário nestes dois tópicos.

O novo decreto municipal no geral segue o rigor que o momento pede, especialmente ao diminuir consideravelmente o horário de bares e restaurantes e também restringir a abertura de serviços nos fins de semana apenas às atividades essenciais.

É o que o momento impõe. Na sua complexidade, em que há muitas dúvidas, poucas certezas e nenhuma receita pronta, melhor pecar por excesso do que por omissão.

Após intensa polêmica e enfrentamento (dispensável por sinal), o bom senso deu a última palavra. A gestão assentiu em quesitos vitais para a contenção da contaminação, sem que o prefeito tenha desfigurado questões de formação pessoal, como o ato que reconhece igrejas serviço essencial.

O desfecho pela moderação, com aquiescência quanto ao inadiável endurecimento de medidas, configura o caminho mais sóbrio tomado pelo jovem prefeito.

Campina, grande por natureza, não poderia ser pequena numa hora dessa. Numa hora em que a Paraíba precisa tanto da cooperação dela. Como nunca antes.

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