Opinião

As lutas do professor Luiz de Souza Júnior

4 de março de 2021 às 09h34

Conheci o professor Luiz de Souza Júnior ainda estudante na Universidade Federal da Paraíba. Ele chefe de gabinete no reitorado de Rômulo Polari, eu singelo estagiário do Cerimonial da UFPB.

Fora dela, pude entrevistar, em várias ocasiões, o então secretário de Educação de João Pessoa. E, depois, de manter contato como fonte especialmente em assuntos do ensino brasileiro e das disputas internas da UFPB, uma das quais ele fora candidato.

Sua passagem plantou o embrião da bem sucedida política de creches em João Pessoa na gestão do prefeito Luciano Cartaxo.

De todos os contatos e diálogos, firmei um conceito sobre o filho natural de Cajazeiras, sertanejo, militante político e doutor em Educação.

Luiz Júnior era um apaixonado pelo magistério, um teimoso entusiasta da educação básica no Brasil.

E sabia do que falava, porque, enquanto docente, atuava, pesquisava e formulava ideias sobre o tema.

O novo Fundeb foi uma de suas últimas assíduas e profícuas bandeiras.

“O novo Fundo, que deverá atender desde as creches até o ensino médio, constitui-se, sem sombra de dúvidas, um importante passo no sentido de quebrar a política de focalização dos investimentos no ensino público que imperou desde meados da década de 1990 até os dias atuais”, escreveu em artigo de 16 páginas publicado em 20 de dezembro passado.

Pouco mais de um mês após assistir o avanço da aprovação por mudanças e fortalecimento do fundo para alcançar o ensino infantil, pelo qual se empenhou com devoção, precisou travar uma outra luta. Dessa vez, com inimigo invisível.

O coronavírus atravessou o caminho do educador. Depois de 60 dias de internação, a covid abreviou uma vida cheia de vitalidade, energia e contribuição social.

Júnior não viveu para ver a materialização do que a vida inteira defendeu e sonhou na educação brasileira. Mas, sua luta está viva. Essa, ele venceu.

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