Opinião

Em casa ou na escola? O dilema de pais, alunos e professores

28 de fevereiro de 2021 às 21h33
Sala de aula em Manaus (Raphael Alves/VEJA)

A dúvida nunca se afastou. Até mesmo quando a pandemia arrefeceu, pais e alunos se viram confrontados pela volta às aulas presenciais.

A verdade é que nunca houve segurança total para esse retorno. Agora, com novo repique (ainda mais agressivo) da doença, o dilema só aumentou.

E nas três pontas do ensino.

Fora da prioridade de vacinação, mesmo sendo uma atividade de risco iminente, os professores estão inseguros. O pânico aumenta a cada notícia da morte de colegas de magistério.

Pais com receio de mandar os filhos para escola e vê-los trazendo o vírus para casa.

Alunos oscilantes entre o medo de contaminar os pais e as consequências de perdas de conhecimento e competitividade com a ausência da sala de aula.

Para todos, muito medo e nenhum certeza.

Em artigo publicado no Blog do Noblat, na Veja, o ex-presidente José Sarney sintetizou com maestria o beco estreito da vida escolar:

“O medo dos pais de autorizar os filhos a comparecer à escola, com a ameaça de contrair a doença e trazê-la para dentro de casa, e de negar a autorização, com o risco de prejudicar sua educação. O medo dos filhos de comparecer, quando os pais autorizam, e o desejo de comparecer, quando os pais negam permissão. Surge assim uma tensão em casa que se soma a todos os medos e dramas já provocados pelo confinamento. Confinamento que, sabemos todos muito bem, é a melhor arma contra a pandemia”.

A reflexão é de um ex-presidente do Brasil. Um homem de 90 anos. Alguém que não viveu nada parecido em toda sua existência de quase um século.

Nem como presidente. Nem como homem.

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