Crônicas

Jornal impresso, as manchetes finais de uma era

27 de fevereiro de 2021 às 13h46

O Diário do Nordeste, um dos mais relevantes jornais do Brasil, circula neste domingo na sua última edição impressa.

Profissionais do veículo se perfilaram para uma foto emblemática, uma despedida que vai além de um jornal específico.

A imagem simboliza, em cores, o fim de uma era áurea dos jornais impressos, uma mudança brusca duas décadas depois de o jornalismo na Internet se afirmar como opção, inicialmente, e como meio obrigatório, posteriormente.

Para quem viveu e experimentou o sabor das redações e a sensação da edição do dia seguinte, num tempo que a notícia ainda podia esperar 24 horas, o sentimento inevitável é de nostalgia.

Vivi essa atmosfera mágica no inesquecível Correio da Paraíba, onde assinei coluna política, sucedendo o inimitável Rubens Nóbrega, ao lado de gigantes como Hélder Moura, Lena Guimarães.

Desfrutando do privilégio da editoria de Walter Galvão, Sony Lacerda, e partilhando e aprendendo com tantos colegas de batente, entre eles, o incansável Adelson Barbosa dos Santos, que nos deixou há pouco tempo.

Mas quem passou efetivamente pela redação, na reportagem, na rua, o jornal impresso foi uma escola imprescindível na formação de jornalistas e no critério de apuração, da objetividade da narração, da criatividade, pensamento das manchetes, importância da fotografia.

A exigência dos editores, a obrigação de captar mais do que eventos, de tirar deles o extrato interessante, o desdobramento, o dado preciso, o que ninguém viu, e transformar título em história.

E o senso crítico. O espírito questionador.

Tudo isso faz/fez do jornal impresso um mestrado profissional, um ambiente crítico, uma ebulição de ideias, uma inquietação permanente.

Essa essência nunca pode morrer. É base sólida do jornalismo, que desafia o imediatismo do digital a preservá-la viva e de pé. É a maior homenagem que a nova geração conectada pode prestar.

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