Opinião

Governar é fazer escolhas difíceis, mesmo quando mais fácil é nada fazer

23 de fevereiro de 2021 às 13h04
Entre o desgaste político e a responsabilidade social, governador e prefeito de João Pessoa unificam postura no enfrentamento ao novo surto

Não é hora de politização e nem disputa ideológica. Não é hora nem da divisão oposição e governo. Não é hora de chorar o leite derramado.

Não é um decreto que vai impor as amargas medidas restritivas. É o quadro ameaçador de alta demanda de casos e de risco iminente do colapso.

Gerado em parte pela solene desobediência civil, em parte pela frouxidão e incompetência dos órgãos fiscalizadores.

Governos geralmente não gostam de tomar decisões desgastantes, como a que restringe economia e desagrada setores produtivos, escolas e até igrejas.

Então, quando, no Brasil, um governante decide optar pelo caminho mais áspero é preciso levar em conta; algo muito grave está em jogo e maior do que as conveniências eleitorais e políticas.

Infelizmente, por um problema e risco coletivo, muitos individualmente são chamados a pagar o preço, muitos que sequer participaram da fatura.

Viver em sociedade é isso. O interesse individual, por mais legítimo, se sujeita ao comunitário.

É doloroso estar na pele de empresários que dão o sangue para manter suas empresas de pé. Não é menos pesado sustentar nas costas o peso de ser responsável por um sistema de saúde que tem a obrigação precípua de funcionar e salvar vidas.

Se falhar, o julgamento é implacável. Do público e da história.

A decisão do governador João Azevêdo (Cidadania) – baseada nos pareceres das autoridades sanitárias por uma nova política de mobilidade humana – é corajosa, bem como a posição prudente adotada pelo prefeito Cícero Lucena, a cidade mais ameaçada pelo novo surto da pandemia na Paraíba.

Tem um preço político, tem. Vai ser criticada, especialmente pelos setores políticos mais radicais, vai. Sobretudo, porque ocorre quando já estávamos acostumados à liberação quase total de tudo.

Mas, governar é fazer escolhas.

E é difícil fazer o certo, quando é mais fácil nada fazer.

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