Crônicas

Reviver não é bom (por Kubitschek Pinheiro)

20 de fevereiro de 2021 às 11h26

Há muito tempo eu espero pela gargalhada geral. Vou dormir pensando nela. Meu amigo, minha senhora, minha vizinha, minha namorada, quando tudo isso passar a gente vai invadir a cidade e se abraçar, tomar umas e outras, saborear o tutano do mocotó (que eu detesto), espetinhos nem de longe, ou um pastel chinês, quem sabe.

Nada do que foi seria – de um lado a outro lago. Quando tudo isso passar, os amores vão festejar nas praias, bares e praças, onde não deveriam estar nessa pandemia. Quando tudo isso passar, o sol vai estar mais quente e chamaremos o vento. Olé, olá.

Quando tudo isso passar, eu vou desligar a televisão, te levar para sambar naquele quarteirão, vamos ao Rio, caminhar pelas calçadas do Leblon. Tão bom, kibon.

Vamos mudar de assunto. Antípodas.

Eu li que o princípio não utilitarista afirma que o homem foge do prazer e busca a dor (o mal-estar). Logo, devemos imaginar uma sociedade que vise produzir em larga escala a infelicidade, a dor e o mal-estar. Não, eu não acredito. A dor há de nos salvar.

Vamos mudar de assunto. Cicatrizes.

Ontem conversei com a metáfora. Ela está uma fera. Disse que já desconfiava, na verdade, que todas as figuras de linguagem são parentes dela.
A senhora metáfora, compreendendo no sentido simbólico, ou um símbolo cuja função é ocupar, com o mesmo tom, o lugar de outro objeto, mas eu achei um tanto sem nexo. E tú? Não conseguimos viver sem ela, né? Quem?

Vamos mudar de assunto. Supinamente louca.

Vejamos: hipérbole: metáfora do exagero; eufemismo: metáfora da atenuação; aliteração: metáfora sonora; antítese: metáfora da oposição; onomatopeia: metáfora de imitação sonora; pleonasmo: metáfora da repetição, e por aí vão ou não chegam a nenhuma lugar, nenhuma dor.

A vida não era assim. Mas reviver não é bom.

Vamos mudar de assunto – Vamos falar de você o que você acha de mim.

Kapetadas
1 – O primeiro dinossauro extinto foi o otariossauro.
2 – Alguém que já leu a Constituição toda sabe se o Brasil sobrevive no final?
3 – Som na caixa – “Podem me prender/Podem me bater/ Podem, até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/Daqui do morro/ Eu não saio, não”, Zé Keti

MaisPB

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