Opinião

A sexta-feira da paixão na Câmara

19 de fevereiro de 2021 às 10h18

Somente uma crise das grandes para mobilizar deputados em plena sexta-feira, de uma semana de carnaval, em Brasília.

Milagres acontecem vez em quando na política. Esse é para julgar o pecado do deputado Daniel Silveira, o bombadão de mil e umas prisões e dois celulares na cela da PF.

O novo mártir da causa sem causa.

Lá pelo fim da tarde, os seus colegas decidirão se Silveira carregará a cruz da prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal, se será libertado e remido ou açoitado com 50 chibatadas de suspensão do mandato.

Silveira, como se sabe, excomungou o decoro e a constituição e praticou o que bolsonaristas ortodoxos fazem como esporte predileto: cuspir no STF, quando o Supremo desagrada ou mesmo quando falta assunto mais importante para discutir num país assolado pela pandemia.

Num nível abaixo do nível do mar, o troglodita com broche na lapela disse diabos sobre vários ministros, com direito a sugestão de surra, entre outras baixarias e crimes verbais de corar a zona baixa da República.

Chafurdou tanto que deixou até seus defensores sem um discurso para defendê-lo. Sobrou apenas a desculpa que o dito cujo tem direito de extrapolar o direito, a imunidade, os bons modos, o bom senso, e botar os marcos civilizatórios debaixo dos seus pés.

Nem a PGR de Aras conseguiu fechar os olhos.

Hoje, Daniel estará na cova dos leões porque ele próprio decidiu ir ao fundo do poço. E ainda levou a Câmara ao calvário de trabalhar numa sexta-feira… Castigo coletivo.

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