Crônicas

Por que mentimos tanto? (por Kubitschek Pinheiro

13 de fevereiro de 2021 às 12h18

Eu sei que o tema é milenar, mas serei breve. A gente anda sem tempo para fazer um piquenique. Uma hora é um que não pode, outra hora é outro e a gente acaba adiando por desculpas da Covid 19. Mas o piquenique não existe mais. Isso é verdade!

As horas “voam”  (não é mentira), mas na pandemia aprendemos ou começamos a identificar muitas coisas. Explico. Depois.

A série turca “50M2” da Netflix (dirigida por Selcuk Aydemir e Burak Aksak)  é boa, mas é bem novelesca. São oito capítulos. As imagens e as personagens vão passando entre os diálogos –  todos mentirosos, mas isso é normal.

O ator turco Engin Öztürk (foto), que é belo, nascido em Eskisehir, é responsável por interpretar o papel de Gölge, protagonista da série. Ele é conhecido especialmente pelo seu papel como Levent na série ‘O Último Guardião’. Mas aí é uma coisa fora de série.

Já perto do final, Engin, que é chamado de “Sombra” e tem uma série de identidades, faz uma pergunta  a outra personagem e repete varias vezes: “por que mentimos tanto?” Ele argumenta que a mentira começa e não para mais. Não para, não para nunca.

Isso dele perguntar por que mentimos tanto, me fez lembrar das conversas antigas e atuais, tão banais, não essa levada de fack news –  isso aí é crime. Mentir é do homem. E não existe tratamento precoce.

Conversar, se atualizar, entender, é tudo de bom. Já mentir…

Uma coisa engraçada da mentira é quando envolvemos outras pessoas – “não pude ir porque meu filho estava doente”, “minha tia faleceu”, (às vezes nem tia tem, ou já morreram todas), “o carro quebrou” etc, mas não deixa de ser mentira. A pessoa deve dizer não fui porque não queria ir… Estou mentindo?

Essa semana ouvi sirenes ligadas, fiquei assustado, corri pra na calçada, achei que era o fim do mundo, só para entender, que não era mentira. O mundo acabou, mesmo.

A mentira não tem pernas curtas nem grossas, ela é a própria velocidade coletiva.  O assunto é muito extenso, mas fiquei com a pergunta do ator  Engin Öztürk  na cabeça – “Por que mentimos tanto?

No cair do esquecimento, dizem, que tem mentiras que servem de verdade. É verdade?

Kapetadas

1 – A gente pensa em mudar de vida mas adia as mudanças. Aí vem um vírus e muda a vida sem a gente ter mudado. É mentira?

2 – Ficar pensativo na madrugada não faz de ninguém um filósofo. É mentira?

3 – Som na caixa: “Fui rezar na Sé/Pra São José/Que eu levava fé/No grande amor/Mentira”, Chico Buarque

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