Crônicas

O pior sintoma da covid

10 de fevereiro de 2021 às 15h55

Encerro hoje o ciclo da quarentena da covid. Foram duas semanas de cárcere privado, o isolamento doméstico a que todo doente se submete para evitar disseminação do contágio.

Febre, indisposição, tosse seca, dor de cabeça, ausência de paladar e olfato me visitaram.

Mas, a solidão é o pior dos sintomas da doença.

A privação de um abraço de um filho pequeno de quem se ouve a voz saltitante na sala, a falta de um toque nas mãos de sua companheira.

Tudo isso debilita a alma mais do que a infecção alojada no organismo.

Rever o sorriso de Benjamim, meu caçula, voltar a ser recebido na mesa para o café da manhã com a ternura de Marly, revisitar cômodos da casa.

Coisas simples que passam, de repente, a outro  tamanho. E significado.

A sensação é de reencontro.

Reencontro consigo mesmo. Com tudo que está tão perto e fica tão longe.

A covid ensina. Mexe por por fora e nos convida a olhar mais para dentro.

A felicidade está bem aqui. Do outro lado da porta.

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