Crônicas

Minha amiga, dona Maria

4 de fevereiro de 2021 às 14h01

Convalescendo em oitavo dia de covid, despeço-me à distância de uma amiga, também vítima deste mal.

Diferente de mim, que a idade ajuda, dona Maria Juvenal enfrentou o pior da doença.

Minha vizinha de Rua Ana Rocha, em Marizópolis-PB, lutou heroicamente por dois meses.

A sua maior testemunha foi o leito de UTI no Hospital de Clínicas, de Campina Grande, onde foi diligente e carinhosamente cuidada pela eficiente equipe liderada pelo jovem do Doutor Johny.

Ela descansou da batalha e enlutou sua família e a todos nós que tivemos a felicidade de um dia desfrutar da sua simplicidade e espírito leve.

Companheira da minha avó Nuita em tantas noites de brisas, xícaras de café e conversas na calçada com cadeira de balanço, dona Maria é parte da melhor nostalgia que guardo da minha terra.

Com ela, lembro do cheiro da infância de pés descalços, o pendor da minha adolescência e os dribles e gols que enfeitaram meus sonhos no campo improvisado em frente à sua casa!

Era a única da vizinhança que não reclamava da algazarra e da bola melando as paredes. Só ria com seu sorriso cúmplice e compreensivo. Daqueles de avó, sempre cheios de perdão.

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