Opinião

Com vitórias no Congresso, Bolsonaro sai das cordas

2 de fevereiro de 2021 às 12h24
A imagem fala por si só e ilustra o efeito político da vitória bolsonarista na Câmara: Arthur Lira celebra diante de um Rodrigo Maia desidratado

Açoitado de tudo quanto é lado e colhendo os próprios erros, o presidente Jair Bolsonaro precisava de uma vitória para se restabelecer no jogo da política e da reeleição, sua obsessão desde quando se hospedou no Palácio da Alvorada.

Como dito aqui ontem, ele decidiu jogar o jogo bruto. Juntou-se ao ‘cão’ para vencer o ‘diabo’. E venceu na Câmara e no Senado. O preço? Caro, mas para ser quitado com o cheque alheio.

De bônus, o presidente colhe de cara a promessa de tempos menos tensos com dois aliados circunstanciais no comando do Senado e da Câmara.

Na força-tarefa capitaneada por Arthur Lira (PP-AL), fraturou a unidade de legendas, como DEM, MDB, PSDB e até o PSL.

Desmobilizou, em tempo, uma grande operação política urdida por Rodrigo Maia e que tinha no governador João Dória, iminente adversário em 2022, o destinatário.

Para Bolsonaro e Arthur Lira, em especial, foi uma aliança bem sucedida. Um carecia do outro para seus fins.

Num momento de fragilidade presidencial, Bolsonaro se fortaleceu e voltou à superfície. Ponto. E enfraqueceu, por gravidade, Maia e Dória, ao mesmo tempo.

Para ganhar, Bolsonaro precisou, todavia, perder a originalidade do seu discurso. Uniu-se com o que prometeu destruir e casou-se, sem mais nenhum disfarce, com o que apelidava de ‘velha política’.

O presidente fez política como político que o é. O resto era “mito”.

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