Bastidores

Ao vivo, um Ney fora do ar

20 de janeiro de 2021 às 17h46
Zé Maranhão está lutando para sobreviver; já Ney morreu um pouco hoje para muitos paraibanos

O jornalista Hermes de Luna, veterano da imprensa da Paraíba, testemunhou hoje uma das cenas mais bizarras da história da televisão brasileira.

Entrevistando Ney Suassuna (Republicanos), empresário e senador nas horas vagas, Luna deu a oportunidade de o suplente em exercício comentar a saúde do também senador José Maranhão, este na luta e agonia da covid-19 num leito de apartamento hospitalar em São Paulo.

Pouco afeito à transmissões remotas, Ney pareceu perdido e sem saber ao certo se a entrevista era de áudio ou de vídeo. De tão atabalhoado, nem se deu conta de que estava em áudio, vídeo e ao vivo para a TV Correio.

No script, manifestou todo o desejo de pronta recuperação ao colega paraibano, de quem foi aliado por décadas, e ao fechar os lábios expressou em mímica o seu presumido sentimento real em relação a quem hoje, agora se percebe da pior forma, é um imperdoável desafeto.

Estava tudo no ar quando, depois das palavras de solidariedade, Ney estirou o dedo, num daqueles típicos e chulos gestos obscenos, em oposição a tudo que havia acabado de proferir em palavras.

Para quem viu a esdrúxula cena, além da vergonha alheia, ficou a sensação de que, da parte de Ney, a verdadeira torcida pela saúde de Zé é outra.

A assessoria negou. Atribuiu que o gesto foi dirigido a um intruso na sala. Sobrou a velha transferência para um assessor. Aos amigos, em defesa de Suassuna, sobra cogitar que o parlamentar está ficando gagá.

Porque, nu e cru, o episódio revelou uma face até então desconhecida de Ney. Minúscula e desumana.

A partir de agora, vindo dele, haverá sempre motivos para desconfiar se elogio é xingamento. Será difícil distinguir qual é o Ney verdadeiro. Vai depender se ao vivo ou fora do ar.

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