Opinião

Vacina, uma questão de cidadania (por João Medeiros Filho)

18 de janeiro de 2021 às 19h49 Por Heron Cid

Menosprezar a importância das vacinas é, no mínimo, desconhecer as evidências científicas de sua eficácia. Basta citar o exemplo da erradicação da varíola, nos idos de 1980 – moléstia que infernizou o mundo por cerca de três mil anos e ceifou a vida de 300 milhões de pessoas somente no século XX -, e o impacto da vacinação antipólio oral, permitindo o banimento da poliomielite, doença que deixou sequelas em milhões de pessoas, entre as quais o presidente americano Franklin Delano Roosevelt, um dos mais famosos cadeirantes do passado. Graças às campanhas sistemáticas de vacinação, a maioria dos países ficou livre da doença, e o Brasil recebeu o certificado de erradicação pela OMS, em 1994, sendo que o último caso da enfermidade registrou-se em Sousa-PB, em 1989. Certamente dois feitos extraordinários.

A polêmica em torno das vacinas contra a COVID-19 é descabida e irresponsável, e tem como única vítima a população.

Não se pretende nesse breve texto entrar na discussão sobre a eficácia dos imunobiológicos existentes, ou defender esse ou aquele produto, mesmo porque, na avaliação de sua eficácia, metodologias diferentes foram empregadas. Confiamos plenamente no aval das agências reguladoras internacionais, entre as quais, o FDA e, em nosso meio, a ANVISA, instituições sérias e devidamente credenciadas para chancelar sua eficácia e segurança.

É certo que dúvidas pairam sobre a resposta imune a longo prazo, e a necessidade de doses de reforço. Tais incertezas serão dirimidas durante a fase quatro que ora se inicia. Outra preocupação diz respeito às cepas mutantes do coronavírus que começaram surgir, provocando a segunda onda avassaladora em Manaus, onde se vivencia um verdadeiro caos. Por outro lado, para nossa tranquilidade, estudos preliminares sinalizam que as vacinas disponíveis na atualidade seriam capazes de preveni-las.

Não há espaço para discussões infrutíferas e para o retardo na adoção desse recurso que representa a esperança de todos nós na erradicação desse mal que já acometeu mais de oito milhões pessoas e ceifou a vida de quase dois milhões de cidadãos, além das incalculáveis repercussões emocionais e sobre a saúde financeira dos países.

A história sempre nos ensina: na epidemia da gripe espanhola de 1918, – “ a bailarina da morte” de Lília Schwarcz, que tirou a vida no planeta, estima-se, de 20-50 milhões de indivíduos – cerca de dois meses após assolar em São Paulo, entrou em franco declínio, graças à tão propalada imunidade de rebanho, uma vez que cerca de 40% da população fora rapidamente acometida.

Com a vacinação em massa que ora se inicia, esperamos ter resultado semelhante, abreviando o lento e penoso sacrifício de nossos semelhantes. A adesão de todos é uma questão de cidadania!

*João Medeiros Filho é pediatra e presidente da Academia Paraibana de Medicina.

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