Opinião

Depois da vacina, outro vírus precisa ser vencido

18 de janeiro de 2021 às 17h36

A luta da ciência e do sistema de saúde ainda tem um grande inimigo a ser combatido no front da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

Com a viabilização e aprovação da vacina, o inimigo da vez é a desinformação sobre a imunização.

Médicos, sanitaristas e cientistas estão investindo parte do tempo em entrevistas e publicações para remover do caminho os vírus das fakes news e crendices que se aproveitam da fragilidade do momento e inoculam dúvidas na população.

São manifestações, postagens e conteúdos sem nenhum valor científico, desprovidos de qualquer base mínima de racionalidade, mas competentes em confundir, deformar e inibir a autoproteção.

O bombardeio é eficiente e contagia até gente esclarecida, temerosa, receosa, apesar de paradoxalmente amedrontada pelo perigo da doença.

O movimento de boicote à vacina é surreal, inexplicável no meio da maior crise sanitária do século. Incompreensível quando conta, entre seus propagadores, com o maior líder da Nação.

Jair Bolsonaro ao longo de meses se empenhou e se esmerou na tarefa de atacar a confiabilidade de estudos e seus resultados.

O desserviço sem precedentes converte-se contra o próprio governo que corre atrás do prejuízo com seu tardio plano de vacinação.

Agente da desqualificação da imunização, o governo agora distribui a mesma vacina que contribuiu para estigmatizar. Surreal.

O vírus da desinformação está solto em plena campanha de vacinação. E é tão nocivo quanto a doença. Contra ele, o único remédio é a informação.

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