Opinião

O que diz a primeira ‘fotografia’ do segundo turno em João Pessoa

23 de novembro de 2020 às 11h49
Cícero Lucena e Nilvan Ferreira durante o último debate realizado pela TV Correio

Na dúvida, não ultrapasse. Esse adágio resume bem o comportamento do eleitor brasileiro em 2020. No geral, um voto ortodoxo, pouco afeito a mudanças bruscas e, distante da polarização, optando por saídas ao centro, naturalmente mais conservadoras.

Na balança ‘garantia’ versus ‘promessa’, o primeiro conceito vai tendo mais peso no imaginário popular de uma gente ainda convivendo com os efeitos desalentadores da pandemia.

Esse sentimento também fluiu nas urnas da Paraíba. Dos dez maiores municípios, apenas em Sapé o vento soprou para uma ruptura com a vitória do Major Sidnei (Podemos). Com um porém: lá o prefeito não concorria à reeleição. Apoiava um aliado.

Em João Pessoa, a cena se repete, conforme revelou, nesse fim de semana, os dados do Instituto Opinião, em pesquisa contratada pelo Portal MaisPB.

O primeiro retrato do segundo do turno indica essa tendência. Ex-prefeito duas vezes da cidade, ex-senador e ex-governador, Cícero Lucena (PP) largou na frente com 43,5% das intenções de voto contra 32,1% do radialista e apresentador Nilvan Ferreira, um outsider na política local, enquanto 15,4% optaram por branco e nulo e 9% estão indecisos.

Considerado a margem de erro de 3,5 pontos percentuais, Cícero tem entre 40% e 47% e Nilvan entre 28,6% e 35,6%.

Realizada com 800 eleitores (número robusto) na quinta e sexta-feira passadas, a pesquisa traz uma radiografia importante porque ouviu os entrevistados depois dos movimentos e posicionamentos de todos os candidatos que não passaram ao segundo turno, já captando os seus efeitos.

O apontamento do Instituto Opinião, dono de quase 100% de acertos nas projeções em 30 municípios paraibanos no primeiro turno, indica que, à semelhança do Brasil e das grandes cidades do Estado, o pessoense está mais propenso ao que já conhece e menos estimulado a apostas.

Afora a liderança na preferência, Lucena (40,5%) aparece com rejeição inferior Ferreira (46,5%). A questão é: apesar de ou por já ter exercido diversos cargos e mandatos na vida pública? Ao que tudo indica, a experiência e a mensagem subliminar de segurança transmitidas pela campanha do progressista estão sendo assimiladas por um eleitorado cauteloso, onde 53,8% acreditam na vitória do vencedor do primeiro turno e 24% na do comunicador.

Eis a vantagem conceitual que Cícero tem para administrar sobre seu adversário. Eis o enorme desafio para Nilvan suplantar até domingo.

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