Opinião

Por que Cícero e Nilvan no 2º turno em João Pessoa

16 de novembro de 2020 às 11h04

A apuração dos votos reservou um capítulo especial para a disputa, voto a voto e só elucidada na última hora entre Ruy Carneiro (PSDB), que lutou bravamente, e Nilvan Ferreira (MDB), os dois contendores pela vaga no segundo turno com Cícero Lucena (PP).

Para Cícero, chegar como primeiro colocado numa disputa de 14 nomes, é a volta por cima desde quando se resignou em silêncio e auto-reclusão depois das urnas de 2014, eleição que fora privado do sagrado direito de disputar a reeleição ao Senado.

O renascimento em 2020 veio no vácuo de lideranças em João Pessoa. Não apenas isso. Ao retomar a presença na cena pública, sem espaço no PSDB, acertou na escolha do PP, partido em ascensão na Paraíba, sob o comando de Aguinaldo e Daniella Ribeiro.

Daí em diante, Lucena fez seu dever de casa ao costurar uma complexa aliança do PP com o governador João Azevêdo (Cidadania), um valioso apoio estratégico, e construir uma grande frente partidária em seu entorno.

Como candidato, começou e terminou o primeiro turno sem cometer erros, o que é tecnicamente fundamental para quem largou na primeira colocação nas intenções de voto. Se apresentou como um nome preparado, experiente e maduro e preservou sua dianteira do início ao fim.

Nilvan Ferreira estava certo quando tomou a coragem de sair da sua zona de conforto pessoal e profissional para entrar numa disputa contra nomes de proa da política local.

A perfomance das urnas nesse domingo é toda dele. Sozinho no MDB, sem nenhuma coligação, o radialista soube dialogar direto com as pessoas e utilizou, como poucos, a comunicação direta e eficiente pelas redes sociais e olho no olho nas ruas.

O discurso de “aliança com o povo” atingiu a veia de um segmento eleitoral enfastiado de nomes tradicionais e carente de realizações muito mais práticas do que megalomaníacas. Gente que quer calçamento na porta de casa, ônibus na hora certa e marcação célere de exames na rede de saúde.

No final das contas, a vontade suprema do pessoense fez justiça com a conjuntura e com os esforços pessoais dos dois candidatos. Mais do que nunca, convém não subestimar a sabedoria do eleitor. Especialmente numa politizada João Pessoa, que mais uma vez manda sonoro recado: não tem dono e não terceiriza escolha.

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