Opinião

Bactérias do Bem (por João Medeiros Filho)

12 de novembro de 2020 às 09h28 Por Heron Cid

Quando menino ouvia muito falar em Leiba e Biovicerin, medicamentos à base de Lactobacillus acidophilus e Bacillus cereus (foto) ,respectivamente – os conhecidos probióticos da atualidade – que meu saudoso pai preconizava para a restauração da flora e no tratamento da diarreia aguda, há mais de seis décadas,

Com o passar dos anos, esses medicamentos e similares foram relegados a plano secundário, sob a alegação de que , apesar de aparentemente benéficos, seu emprego seria inócuo – “ uma gota d’água no oceano”.

Como costumo dizer “ a Medicina dá muitas voltas”, e com base em muitos estudos sobre a microbiota intestinal ( flora intestinal) – seu papel nas defesas orgânicas, na inibição do crescimento de bactérias do mal ( patogênicas) e na sua interação com o cérebro -,os probióticos voltaram com força total.

Para entender sua importância , basta lembrar o exemplo que natureza nos traz, ao dotar o leite humano de quantidades generosas de probióticos e prebióticos, que se somam a inúmeros fatores de proteção contra infecções, além de outras vantagens que lhe conferem a condição de padrão-ouro da nutrição dos lactentes.

Probióticos, para a melhor compreensão dos leigos, são microrganismos vivos, que, administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro; prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que estimulam seletivamente a proliferação e/ou a atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon; e, simbiótico é um produto no qual probióticos e prebióticos estão combinados.

A nutrição otimizada , um novo conceito, está voltada no sentido de favorecer as funções fisiológicas adequadas do indivíduo, de forma a assegurar-lhe o bem-estar e minimizar o risco de desenvolvimento de doenças ao longo da vida. Nesse contexto, os alimentos ditos funcionais, aqueles que a par de fornecerem a nutrição básica e promoverem a saúde, contemplam, em sua composição, os probióticos e prebióticos.

O trato gastrintestinal humano é um micro-ecossistema cinético que mantém o desempenho normal das funções fisiológicas do hospedeiro; um equilíbrio da microbiota pode ser obtido por uma suplementação sistemática da dieta com probióticos, prebióticos e simbióticos. Estima-se que nossa flora intestinal seja constituída por cerca de 100 trilhões de bactérias.

Por outro lado, há que se considerar o “eixo intestino-cérebro”, a comunicação entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central, uma relação vital para a manutenção da homeostase, cujo desequilíbrio pode resultar em alterações na resposta ao estresse e no comportamento humano, ou seja, uma possível relação entre disbiose intestinal e desordens mentais, tais como, ansiedade, depressão e estresse.

Seguindo essa linha de entendimento, num esforço para otimizar a qualidade de seus produtos, e tentando, na medida do possível, aproximar sua composição à do leite humano, a indústria de fórmulas lácteas tem incorporado probióticos e até prebióticos na sua linha de produção.

No portfólio da indústria farmacêutica, encontramos uma gama de produtos que contemplam isoladamente ou, em associação, diversas espécies de micro-organismos vivos (probióticos) de aplicação clínica.

Exemplos de prebióticos são os fruto-oligossacarídeos(FOS), a pectina, as ligninas e a inulina. Os FOS estão presentes em alimentos como cebola, alho, tomate, tomate, banana, cereais integrais, etc. Os probióticos são encontrados em diversos leites modificados, fermentados, no iogurte, na coalhada, no picles, nas azeitonas maduras, no vinagre de maçã, no molho shoyu, etc.

Assim, os probióticos/prébióticos têm ampla aplicação na prática clínica, e os alimentos funcionais, que permitem uma nutrição adequada a par do equilíbrio da microbiota, devem, fazer parte de uma dieta saudável da população.

*Pediatra e Presidente da Academia Paraibana de Medicina

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