Opinião

O que aprender com a eleição americana (por Ricardo Noblat)

4 de novembro de 2020 às 13h11 Por Heron Cid
Joe Biden discursa na Filadélfia, na Pensilvânia AFP/AFP

Adiantou ou não, é outra história. Mas Joe Biden e o Partido Democrata acertaram ao pôr em julgamento no processo eleitoral americano o caráter de Donald Trump. Aqui, em 2022, esse poderá ser um dos trunfos da oposição contra Jair Bolsonaro, além dos certamente pobres resultados de sua administração.

O caráter – ou a falta dele – de Bolsonaro é tão ou mais vulnerável do que o de seu ídolo que parece ter escapado do pior. E se a economia foi bem nos Estados Unidos até a pandemia do Covid-19, no Brasil ela chegará mal daqui a dois anos. Cadê as prometidas reformas do Estado? O desemprego ainda será grande.

Bolsonaro está assustado com o que se passa em países vizinhos do nosso. Ele acha que o continente começa a adernar para a esquerda sob os efeitos da recente eleição na Bolívia e do plebiscito no Chile. Sabe que não terá dinheiro para manter os programas assistencialistas que ancoram sua popularidade.

O cenário não é nada bom para ele. O ministro Paulo Guedes, da Economia, em conflito cada vez mais acirrado com seus colegas, disse outro dia que precisava fazer muita besteira para que o dólar batesse até o fim do ano a casa dos 7 reais. Já bateu a casa dos 6. Investimentos externos escasseiam. E…

E parte dos eleitores que em 2018 votaram em Bolsonaro, principalmente os de maior renda e escolaridade, começa a dar-lhe as costas, insatisfeito. O governo é uma tremenda confusão. Nem uma vitória de Trump será capaz de salvá-lo. O Mito simplesmente corre o risco de deixar de sê-lo.

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