Crônicas

Na Epitácio Pessoa com Belchior (A Crônica de Domingo)

1 de novembro de 2020 às 12h56

Fazia noite dessas, displicentemente, a travessia da avenida Epitácio Pessoa, a espinha dorsal de João Pessoa, onde tio e sobrinho se encontram com a história e os ‘pessoenses’ com as artérias da cidade.

Até que, sozinho e só “com os carinhos do motor”, o olhar no retrovisor trouxe luzes de dezoito anos atrás e eu “lembrei muito bem do dia que eu cheguei”.

Já não era “dentro do carro”.

“Vida a dentro, mundo afora”, o trajeto de ônibus, vindo da rodoviária que acabara de desembarcar sonhos, medos e expectativas, logo no amanhecer da “cidade grande”, era só curiosidade. “Saia do meu caminho”.

Do vidro lateral da janela, procurava, sem cessar e sem sucesso, a torre de alguma estação de rádio que mais tarde pudesse ser o centro de irradiação do meu universo.

Nunca havia andado uma rua tão grande e sem fim. Cada prédio, cada loja, cada árvore, o ruge-ruge de carros e coletivos indo e vindo.

Tudo era tão diferente, assustador e desafiador para o jovem de 18 anos, “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”.

A Epitácio, que nem sabia ser este seu batismo, com seu cheiro, sua linha reta e umidade de chuva de junho de 2002, foi a porta de entrada daquele recém-descoberto admirável mundo novo.

No flashback dos olhos da memória, vi que ela não é mais a mesma. Nem eu. O que era mágico, hoje é cotidiano.

Agora nos conhecemos bem, dispensamos apresentações e um título de cidadania dessa mãe adotiva tramita na Câmara (quem diria Dona Marizete?!).

Hoje, “há muito tempo que eu estou longe de casa”, agora “conheço meu lugar”. “Até parece que foi ontem”…

“A minha história é talvez igual a tua”.

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