Opinião

Bolsonaro, sem campanha e sem partido (por Magno Martins)

29 de outubro de 2020 às 15h21 Por Heron Cid
Brazilian president-elect Jair Bolsonaro gestures as he delivers a joint press conference with Brazilian President Michel Temer (out of frame) after a meeting in Brasilia on November 7, 2018. (Photo by EVARISTO SA / AFP)

(Recife-PE) – O presidente Bolsonaro revelou, ontem, a verdadeira razão de ter optado por ficar de fora dos palanques na campanha municipal: não tem fonte financeira para cobrir as despesas com deslocamentos pelo País, logística cara, que envolve despesas com aeronaves, hotéis, segurança e aluguel de carros. Quando presidente, Lula fazia isso sem nenhum problema porque o seu partido, o PT, bancava tudo. Bolsonaro está sem filiação partidária.

As viagens presidenciais, para agenda oficial, não podem ter agenda política, porque se não o presidente seria acusado de uso da máquina nas eleições. Pela primeira vez, um chefe da Nação vive essa situação inusitada: tem o poder, mas não tem um partido. Eleito pelo PSL, Bolsonaro foi forçada a deixar a legenda depois de um conflito interno e público com o presidente da legenda, o deputado pernambucano Luciano Bivar. Sem filiação partidária, o presidente até tentou criar um partido, mas não conseguiu.

Ele e aliados imaginavam que o Aliança pelo Brasil, o novo partido, deslancharia em menos de seis meses. O otimismo era tanto que se acreditava, na época, que a sigla estaria apta a disputar as eleições municipais, mas não deslanchou. Os entraves foram tantos que o presidente, então um dos principais entusiastas da ideia, não aposta mais, hoje, todas as suas fichas na criação da sigla. Tanto que ele ensaia um retorno ao PSL, com receio de que o Aliança não consiga sair do papel.

As razões pelas quais o partido ainda não saiu do papel são várias. Entre elas, a pandemia do coronavírus; a redução do número de servidores nos cartórios eleitorais; o não reconhecimento de várias assinaturas de apoiadores e, em menor escala, disputas internas e a falta de confiança plena da militância na cúpula do novo partido. Em resumo, a clássica teoria da tempestade perfeita.

Durante esses nove meses, o partido conseguiu homologar apenas 20 mil assinaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar do baixo número de assinaturas aceitas pela Corte Eleitoral até o momento, integrantes do Aliança afirmaram que 160 mil fichas estão no TSE à espera de homologação e outras 100 mil estão em posse do partido. Para criar uma sigla, são necessárias pelo menos 492 mil assinaturas. Ou seja, caso esses cadastros em posse do partido sejam reconhecidos pelo TSE, a sigla teria em torno de 280 mil apoiadores – pouco mais da metade da meta.

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