Opinião

O debate do SUS e o “modelo emperrado e lento”

29 de outubro de 2020 às 17h37

Para uma coisa a ida e vinda do presidente Bolsonaro no caso do decreto que previa parceria público privada no SUS já serviu: acender um debate inadiável sobre as condições de saúde pública e o exaurido modelo em vigor.

Não dá pra dizer que está tudo bem. Não dá pra dizer que não presta para nada.

Uma coisa, porém, é certa: está muito longe de atender a demanda e de parecer um serviço de excelência para um pagador de impostos que não consegue ver seu dinheiro revertido na hora da infelicidade da doença.

Como costuma ser num país alucinado por ideologia e projetos de poder, o debate é distorcido e enviesado ao menor sinal de ruptura.

E surge aquela velha cantilena que não resolve a parada: ruim com ele, pior sem ele. Salva na retórica, mas não salva a vida, como deveria.

O secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, gerenciou por oito anos um dos mais complexos hospitais da Paraíba, o Trauma de Campina Grande. Funcionava 100% gratuito e com gestão 100% pública.

Para ficar bem na fita do meio, ele poderia ser o primeiro a gritar: “Com o SUS ninguém mexe”!

Ao programa Hora H, da Rede Mais Rádio, Medeiros foi suficientemente sincero: nas palavras dele, o governo Bolsonaro errou na forma, não necessariamente no conteúdo.

E qual erro? Em querer impor via decreto um processo que precisa passar por discussão com todos os entes da gestão tripartite (estados, municípios e governo federal).

Mas, a pexotada presidencial não muda uma realidade para o gestor da saúde paraibana: “O modelo atual de saúde pública é emperrado, lento, paquidérmico. Em função disso acho que temos que pensar em outros tipos de modelos. A PPI é uma delas, mas isso tem que ser aprofundado e discutido”.

E tem que ser mesmo, sem preconceitos e ideias fixas. Geraldo dá outra razão: “Nem o governo tem dinheiro para acabar de construir essas 4 mil unidades básicas de saúde, que são essenciais para a saúde  básica”.

Não significa, todavia, que o Programa de Parceria de Investimento seja a solução acabada e definitiva. Não.

É uma alternativa. Que se coloquem outras à mesa num debate eminentemente técnico, e sem a contaminação do vírus político.

Um debate em que o paciente, o cidadão, seja o centro. Não o detalhe.

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