Opinião

Efeito Bolsonaro na eleição (por Magno Martins)

20 de outubro de 2020 às 07h00 Por Heron Cid

(Recife-PE) – Única região onde o presidente Jair Bolsonaro saiu derrotado no segundo turno das eleições de 2018, o Nordeste presencia uma multiplicação de candidaturas bolsonaristas no pleito de 2020. Utilizando fotos, jargões e mesmo citando o presidente em peças publicitárias, candidatos a prefeito na maioria das capitais tentam aproximar suas imagens à de Bolsonaro para conquistar parte do eleitorado.

Antes de a campanha começar, o presidente declarou que não participaria ativamente do primeiro turno. Bolsonaro, no entanto, mudou de ideia e interferiu diretamente na formação da chapa de Celso Russomanno, fazendo a ponte entre o candidato do Republicanos e o PTB, que aceitou a vaga de vice em São Paulo. Sem a declaração formal de apoio do presidente, os candidatos se anteciparam e fizeram o movimento inverso, dizendo-se apoiadores de Bolsonaro.

Catorze candidatos em oito capitais nordestinas fazem campanha usando referências ao chefe do Executivo federal. Exatamente pelo fato de Bolsonaro ter perdido as eleições no Nordeste, setores ligados a ele, ou que querem se ligar a ele, tentam criar uma alternativa que não existia até então. É uma iniciativa política que quer criar uma nova realidade e se apóia no prestígio do presidente para penetrar em uma área em que ele ainda está enfraquecido.

Essa tendência identificada nos Estados nordestinos neste ano é um fenômeno que se repete na política brasileira. Quando se tem um político, uma força política ou mesmo um movimento político que tem uma capacidade de implantação muito grande, por ter vencido eleições, ou que está em uma crescente de popularidade, quem está tentando chegar ao poder tenta ‘colar’ nessas figuras para crescer, principalmente candidatos novatos.

Blog do Magno Martins

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