Bastidores

Russomano em saia justa (por Ricardo Noblat)

15 de outubro de 2020 às 16h50

Nem para um político conservador e de direita como o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) é moleza ajustar-se ao figurino estreito de candidato capaz de agradar ao presidente Jair Bolsonaro e aos seus devotos. Equivale a engolir um boi por dia.

Não foi tão difícil para ele explicar por que afirmou que a falta de banho torna o morador de rua mais resistente ao vírus. Ofereceu a justificativa clássica usada por 10 entre 10 políticos e autoridades pegas dizendo idiotices: “Tiraram de contexto o que eu falei”.

Notável foi sua ginga para escapar, ontem à noite, de dizer o que pensa sobre a ditadura militar de 64, de triste memória: “Eu acredito que ditadura é o que a gente vive nos países em que você não pode sair ou entrar do país, que o seu passaporte é cassado”.

Ora, ditadura não se resume a isso. Mas isso também aconteceu com adversários da ditadura de 64 procurados para ser presos, ou exilados, ou banidos do país e proibidos de voltar. Se Bolsonaro assistiu à entrevista de Russomanno ao SBT, gostou.

O deputado admitiu que o Brasil teve governo militar, mas por quê? Fez questão de lembrar que “que na década de 60 as donas de casa saíram às ruas batendo panelas pedindo para que os militares assumissem o poder.” Ah, bom, deve ter sido por isso.

Naquela época, Russomanno era “um garotinho”. A ditadura “não fez parte” da vida dele, e essa deve ser a razão pela qual tem dificuldade de revelar o que pensa a seu respeito. “A democracia se constrói com a liberdade que temos hoje”, arriscou-se.

Quanto ao aborto… Russomanno também se negou a comentar sua posição sobre o aborto. “Isso não é atribuição do prefeito. O que for atribuição do prefeito eu estou aqui à sua disposição para responder. Sobre esse assunto eu não vou responder. Obrigado.”

De nada.

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