Opinião

Sol, de vilão à salvação do Sertão

19 de setembro de 2020 às 07h56 Por Heron Cid
Usina Coremas de Energia Solar. Desenvolvimento a sol aberto

(Pombal-PB) – O melhor sol da Alemanha é pior do que o pior sol do Brasil. Essa constatação de técnicos, especialistas e autoridades do assunto soa como música aos ouvidos dos sertanejos.

Região do melhor sol do Brasil, o Nordeste tem um caminho iluminado como centro brasileiro de uma tendência irreversível: a energia renovável, especialmente a solar, a que podemos gerar com privilegiada abundância.

A predominância das usinas hidrelétricas no país tem os dias contados. Até o presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Fábio Lopes, admitiu isso ontem durante debate do I Fórum Paraibano de Energia Solar, em Pombal.

O uso da água, escassa na região, será irremediavelmente cada vez mais destinado para lazer, turismo, irrigação e abastecimento humano. “A vocação da Chesf vai migrar para as energias renováveis”, disse Fábio Lopes.

“A energia solar será a liberdade do Sertão”, advertiu Sandoval Feitosa, um dos diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que acrescentou uma frase promissora: “O Nordeste concentra a maior pobreza e aqui está a maior riqueza energética do país”.

O poder de transformação da realidade econômica do sertão paraibano pelo sol só não é maior do que o potencial de geração de energia solar. Aqui, por obra e graça divina, concentra-se naturalmente a mais perfeita condição climática.

Efrain Cruz, também diretor da Aneel, tem na ponta da língua um GPS de desenvolvimento econômico para os municípios da região a partir da energia que vem do sol. Associar produção distribuída com projetos estruturantes que removam a dependência do FPM. “O dinheiro usado para pagar energia elétrica sobrará para o custeio em áreas essenciais”.

O novo horizonte que se descortina, cada vez mais real, especialmente com a política de incentivo deflagrada pelo Governo Federal, provoca poder público, universidades e sociedade civil organizada a se mexer e cumprir a parte devida na preparação de terrenos propícios para grandes investimentos, mas também para proporcionar um ambiente em que cidadãos do campo e da cidade também produzam o que abunda por aqui.

Temos diferenciais a explorar. Aqui está sediado o Instituto Nacional do Semi-Árido, com a competente gestão da professora Mônica Tejo, pesquisas nas universidades federais, um IFPB prestes a instalar curso de energias renováveis em Santa Luzia, um presidente da Chesf nordestino e um paraibano na direção geral da Aneel.

A Paraíba está com a faca e o queijo na mão. Agora, é só cortar. É a hora de transformar a adversidade em vantagem e o que pensávamos ser o vilão na grande solução e salvação. Quem diria que um dia o sertanejo agradeceria por tanto sol…

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