Bastidores

Fim da reeleição é flor no Congresso em tempos de pandemia (por Ricardo Noblat)

15 de setembro de 2020 às 09h35
Funcionários da Justiça Eleitoral testam urnas eletrônicas em Brasília (DF) - 19/09/2018 Evaristo Sá/AFP

Depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com um atraso de mais de 20 anos, admitiu que seu grave erro foi ter aceitado se reeleger, brotou no Congresso obrigado a funcionar virtualmente por causa do vírus a ideia de acabar com a reeleição – inclusive para o presidente Jair Bolsonaro.

Sabe a chance de a ideia ser aprovada? Zero. Chance zero. Quando o Congresso sai de férias no meio e no fim do ano, vez por outra surge uma proposta que galvaniza os debates à distância, dá trabalho aos jornalistas, e, de repente, some de circulação. A esse tipo de coisa deu-se o nome de “flor do recesso”.

Certa vez, à época da ditadura de 64, o deputado Fernando Lyra, do MDB de Pernambuco, plantou a semente de uma flor que, se brotasse, seria admirada. Lyra deu uma ruidosa entrevista onde defendeu a abertura do diálogo da oposição com os militares. Durante pouco mais de um mês só se falou sobre isso.

Deu em nada, tão logo Congresso retomou os trabalhos. Pode ser que em tempos de Congresso remoto a flor do fim da reeleição dure mais do que 15 dias. Para fenecer em contato com a realidade de que Bolsonaro tem o direito adquirido de se reeleger, bem como governadores eleitos em 2018 e prefeitos que se elejam este ano.

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