Opinião

Ser ou não ser? Eis a questão para Ricardo Coutinho

3 de setembro de 2020 às 09h47 Por Heron Cid

Ser ou não ser… Eis a questão. O poema de Hamlet tem tudo para estar na cabeceira do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) nos últimos dias que antecedem as convenções.

Bem pontuado nas pesquisas internas, apesar do índice considerável de rejeição, Coutinho vive o seu dilema particular.

Disputar a Prefeitura de João Pessoa, enquanto é elegível mesmo sob a ameaça do risco do resultado do julgamento do TSE, ou guardar a bandeira, se preservar, fechar os olhos, anestesiar o orgulho , despejar o seu patrimônio eleitoral na candidatura de Edilma Freire (quem diria?) e aguardar o acaso?

Para quem conhece o estilo político de Ricardo, a segunda opção é sua última cogitação e só discutível na falta de outro caminho.

De alguns adversários, o ex-governador guarda raiva. Pelo prefeito Luciano Cartaxo é diferente, Ricardo nutre desprezo político mesmo. E já deu diversas demonstrações – públicas e privadas – disso.

Quando fez aliança com Cartaxo, o fez para ser votado e por necessidade própria. Eventual repetição e agora para votar em Edilma não é prato de fácil digestão para o estômago do socialista.

Mas, em política são as condições objetivas que mandam e essa porta está aberta – como já tratado aqui. Da parte dos Cartaxo, escancarada.

A composição só não passou nela ainda, com o PSB indicando a vice, porque Ricardo resiste ao tema e não tem convicção firmada sobre quem do seu partido ungir, se este for o quadro insuperável.

No monólogo universal, logo após a famosa frase, Hamlet – o personagem de William Shakespeare – pergunta:

“Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes”?

Ricardo Coutinho está refletindo sobre essa resposta…

A tragédia de Hamlet é um diálogo sobre vida e morte. A divagação política do ex-governador também.

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