Opinião

João Pessoa, o que sobra e o que falta

5 de agosto de 2020 às 14h51 Por Heron Cid

A melhor maneira de enaltecer João Pessoa, o berço da fundação da Paraíba que aniversaria hoje, é observar as conquistas históricas e reconhecer os desafios do caminho.

A homenagem romântica combina com a poesia natural desta bela capital, mas é insuficiente, limitada e pueril se não vier acompanhada de um olhar crítico.

É que no colo e nos ombros dos seus cidadãos, os nativos e os adotados, há muito para fazer deste território uma cidade humana e de grandes oportunidades.

Isso fica muito claro quando olha-se para as capitais vizinhas.

Ainda estamos muito atrasados no turismo quando miramos Natal-RN. Temos muito para correr atrás do desenvolvimento econômico e industrial do Recife-PB.

Essa constatação não é para diminuir tudo de bom em potencial que temos. É autoprovocação a servir de mola propulsora e estímulo.

Aliás, a localização estratégica entre as capitais do Rio Grande do Norte e de Pernambuco pode e deve ser melhor explorada como atrativo e diferencial.

Pacata, João Pessoa ainda tem um ímã historicamente provinciano que, em muitos casos, atravanca a atração de grandes investimentos.

No geral, o investidor por aqui é conservador, o que explica muitos potenciais ainda anestesiados.

Basta um fato para ilustrar: somos uma das capitais mais antigas do Brasil e – mesmo assim – o atrativo do acervo histórico infelizmente é quase nulo no critério do turista para nos escolher. Culpa dele ou nossa?

A carência de grandes redes hoteleiras é insuficientemente compensada pelos esforços pontuais de empresários locais.

O que sobeja em beleza falta em iniciativas inovadoras e ousadas que coloquem essa acolhedora cidade em outro patamar, especialmente, transformando a dependência do PIB público na geração de emprego, renda e aumento do ticket (poder aquisitivo), que ainda é baixo.

Um olhar horizontal também sobre a cidade é outro desafio. Espraiar a qualidade de vida pelos bairros e periferia, com urbanização, paisagismo e entretenimento.

A política de zeladoria e parques as que o Bessa tem direito, por exemplo, também precisa chegar em Valentina, Grotão, Mandacaru…

Desafios que podem ser vencidos no diálogo com a comunidade universitária, as cabeças pensantes da academia, a central do conhecimento e da pesquisa raramente chamados a colaborar nas soluções dos grandes gargalos.

João Pessoa é uma excelente matéria-prima. Necessária, a lapidação é tarefa de muitas mãos. E de todos nós, os que a amam do jeito que ela é, mas acreditam que esta senhora pode e merece muito mais do que já conquistou.

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